Sócrates: tese do “amigo corruptor” ameaça anular decisão do juiz
Quando Ivo Rosa argumentou que o ex-ministro foi corrompido pelo amigo, pôs um trunfo nas mãos da defesa de Sócrates. Advogado vai alegar que o juiz alterou os factos da acusação. Se conseguir, a decisão pode ser anulada.
A tese do amigo corruptor pode vir a causar um terramoto na Operação Marquês. Na acusação do Ministério Público, o empresário Carlos Santos Silva é descrito como a testa-de-ferro de José Sócrates: a cerca de 23 milhões de euros que tinha em duas contas na Suíça eram do ex-primeiro-ministro e provenientes de actos de corrupção do Grupo Lena, Grupo do Espírito Santo e do empreendimento Vale do Lobo. Ou seja, aquele dinheiro era de Sócrates, e Santos Silva era apenas o veículo para chegar ao dinheiro ao ex-governante socialista.
A história mudou radicalmente com a nova perspectiva de Ivo Rosa. Na leitura da súmula da decisão instrutória, o juiz surpreendeu todos com uma visão alternativa dos factos: Sócrates tinha sido corrompido, sim, mas pelo próprio amigo. O juiz de instrução vincou que o ex-primeiro-ministro recebeu um total de 1.727.398,56 euros de Carlos Santos Silva em várias parcelas, pagas em dinheiro vivo e em viagens. E aceitou estes pagamentos em troca de um “mercadejar com a carga”, colocando “os poderes funciona no serviço de seus interesses privados”, num processo de “venda de personalidade” ao amigo empresário.
Leia o artigo na íntegra na edição impressa do NOVO, nas bancas a 16 de Abril de 2021.