Marques Mendes: Costa tinha “o dever institucional” de falar no Conselho de Estado

Comentador e conselheiro de Estado criticou atitude de primeiro-ministro na reunião e elogiou a “coragem” de Carlos César ao dar uma “alfinetada” em António Costa e ao PS.

Luís Marques Mendes criticou este domingo a atitude de António Costa na segunda parte da reunião do Conselho de Estado, defendendo que o primeiro-ministro tinha o “dever político e institucional” de ter feito uma intervenção.

No seu habitual espaço de comentário na SIC Notícias, Marques Mendes (que também é conselheiro de Marcelo Rebelo de Sousa) apontou que, um conselheiro, seja qual for a posição que tem no país, deve sempre dar a sua opinião do Conselho de Estado porque é para ser auscultado e dar conselhos que o órgão de consulta do Presidente da República existe.

“Se é um órgão de aconselhamento, o conselheiro deve estar lá para dar a opinião, que é a forma de corresponder ao pedido da consulta que lhe é feito”, frisou Marques Mendes, afirmando que a opinião deve ser dada no Conselho de Estado e não em privado com o chefe de Estado porque o órgão de consulta tem natureza institucional.

“Tem o dever institucional e político de falar, se não é uma anormalidade”, considerou o pré-candidato a Belém, deixando caro que “não existem dúvidas” de que se vive um momento de tensão entre Belém e São Bento. “A manter-se este clima e a poder agravar-se isto é mau para o país”, avisou Luís Marques Mendes, afirmando, contudo, acreditar que tanto António Costa, como Marcelo “farão um esforço para aliviar” esta tensão.

“É positivo que não caiamos no exagero”, avisou.

Já esta tarde, o próprio presidente do PS, Carlos César, tinha apelado ao partido e ao governo que tivesse “muita paciência” para proteger a relação com Belém e a Assembleia da República. Apelando a consensos, Carlos César avisou que o PS “não é dono do país” e que deve procurar pontes no Parlamento. Marques Mendes elogiou a “coragem” do presidente socialista ao dar esta “alfinetada” ao primeiro-ministro e à maioria PS. “Teve muita coragem em dizer isto porque ao fim de alguns anos, o primeiro-ministro tende a ficar fechado”, rematou Marques Mendes.