Para infelicidade daqueles cujo republicanismo e laicismo são, sobretudo, disfarces para ultrapassados saudosismos bolchevistas, a Jornada Mundial da Juventude foi um êxito total que ultrapassou as fronteiras do país, como facilmente se verificou na cobertura que foi feita pela imprensa internacional do que aconteceu e foi dito, em Lisboa, pelo Papa Francisco.

Realço o papel fundamental que teve a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e o seu presidente, Carlos Moedas, para que a Jornada Mundial da Juventude fosse uma realidade, com o sucesso que alcançou.

Quando Carlos Moedas chegou à CML, basicamente o que existia era a aprovação da candidatura. E foi, pois, com muito empenho pessoal, inclusive contra muita crítica gratuita e maliciosa, que tudo fez, apoiando e preparando a cidade, para receber o Papa Francisco e mais de um milhão e meio de peregrinos, provenientes de 150 país, numa diversidade sem igual do que é a humanidade.

Mas a Jornada Mundial da Juventude, como o nome indica, tinha os jovens em primeiro lugar e foi precisamente isso que aconteceu, como todos vimos. Nestes tempos em que tanto se questiona a ausência de valores, enquanto paradigma dominante de um mundo por vezes tão superficial e ilusório, os jovens aderiram massivamente ao evento, mostrando toda a sua força, mas também pertença e crença de que é possível fazermos todos um mundo melhor se soubermos trabalhar em conjunto, se soubermos ajudar os jovens a sonhar, a não terem medo, a acreditarem que é possível fazer acontecer a esperança.

Além desta importantíssima reflexão com que o Papa Francisco nos brindou em Lisboa, acrescento a certeza de que a Igreja está aberta a “todos, todos, todos”, sem exceções e sem estigmas, bem como a coragem e a frontalidade que, mais uma vez, demonstrou no seu pedido de perdão e “purificação humilde e contínua” pelos abusos sexuais cometidos pela Igreja Católica, sendo disso prova não só as suas sempre bondosas palavras como também o encontro que manteve com 13 das vítimas.

Desta Jornada Mundial da Juventude, que certamente tão cedo não deverá ser esquecida, em especial por quem tem responsabilidades governativas, como eu próprio, retenho a importância de se governar sempre com as pessoas em primeiro lugar, como bem realçou o Papa no primeiro discurso que proferiu, no Centro Cultural de Belém.

Nesse sentido, é fundamental conseguirmos aliar, na ação governativa, a juventude aos mais velhos. A criação de políticas verdadeiramente intergeracionais, que a todos incluam, que façam com que consigamos unir e fluir sem guetizações a sociedade e o país que somos, aliando energia e otimismo à experiência e à sabedoria, é vital para o nosso futuro. Se isto não acontecer, falharemos redondamente o nosso destino coletivo.

A terminar: é estranho que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa não tenha estado presente no almoço de agradecimento à organização da JMJ. Será que alguém se esqueceu rapidamente das palavras que o Papa Francisco proferiu em Lisboa, que só podemos olhar uma pessoa de cima para baixo quando é para a ajudar a levantar-se…?