Squid Game: Psicólogos desaconselham série “violenta e com personagens sem rosto”

A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos defende que a série deveria ser retirada do catálogo da Netflix enquanto o mundo ainda viver a situação pandémica. Pedro Hubert, psicólogo especialista em adições, considera que “Squid Game” só vai gerar violência em quem já tiver essa predisposição.



Na série mais viral e global do momento, a sul-coreana “Squid Game” (ou “Jogo da Lula” em português), da Netflix, indicada para maiores de 16 anos, os funcionários da organização que concebeu os jogos infantis mortais vestem uns macacões coloridos e têm o rosto coberto com uma máscara com um de três símbolos geométricos: quadrado, círculo ou triângulo. Não têm nome e a hierarquia é definida pelos símbolos que lhes foram atribuídos.

Para a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos, que acompanha em consultas crianças e jovens até aos 24 anos, “esse pormenor desta série violenta ter personagens sem rosto é muito importante, porque retira a capacidade empática”. A “perversidade” de “Squid Game” está, na sua opinião clínica, em “colocar as pessoas num sentimento primário em que a intencionalidade empática não existe, logo, só nos identificamos com os personagens pela sobrevivência a todo o custo”.

Ana Vasconcelos está a estudar o “cérebro das probabilidades” (Bayesian Probability) que explora a seguinte tese: “antes de tratar qualquer informação sensorial, o cérebro precisa de ter uma antecipação humana. Ao ver personagens com símbolos geométricos desumaniza-as e coloca-as ao nível de robôs”.

A pedopsiquiatra avalia “Squid Game” como um “conteúdo perigoso” e “desaconselhável aos mais novos e adultos quando estamos a viver tempos de recuperação de uma pandemia global”. Entende até que “a série devia ser retirada do catálogo da Netflix enquanto o mundo estiver nesta fase ainda pandémica”.

“Até é mais interessante dizer o título em português, “Jogo da Lula”, um jogo baseado num animal que quase desconhecemos, sem osso e sem músculo”, observa ao NOVO.

O fenómeno da Netflix “é de uma enorme violência desumana e utiliza zonas do pensamento de sobrevivência em que o outro é sempre o inimigo”. Para Ana Vasconcelos, essa característica torna a série aditiva e faz com que “seja muito difícil aos adultos ter uma atitude educativa e explicar o conteúdo de forma pedagógica aos mais novos porque facilmente caem na armadilha de ficarem possuídos pela compreensão da luta extrema pela sobrevivência que os jogadores da série estão a ter”.

A pedopsiquiatra lembra que a pandemia da Covid-19 trouxe “muita solidão reprimida com instintos assassinos” e que os mais novos “estiveram meses sem relações com outros”. “Eu nunca tive tanta procura por parte de jovens nas idades dos 14 em diante como agora porque também nunca houve tanta ansiedade nesta faixa etária como agora”.

Pedro Hubert, psicólogo especialista em adições, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador, entende que “Squid Game” é um fenómeno como “Hunger Games” “Casa de Papel” e outros similares, “em que só vai desenvolver violência em quem tiver predisposição para a violência. Torna-se muito perigoso é se for visto por jovens sozinhos e sem o acompanhamento de um adulto”.

Recorda que nos seus tempos de criança viu “muitos filmes de cowboys e índios e até filmes de terror e não foi por isso que fui agredir ou assustar pessoas”. “O problema é que hoje os miúdos estão muito sozinhos e os pais não fazem ideia do que eles andam a fazer ou a ver. No Instituto de Apoio ao Jogador temos jovens com problemas de visionamento de pornografia a partir dos 12 anos, por exemplo, porque veem conteúdos porno no telemóvel sem terem qualquer enquadramento de que a sexualidade não é aquilo. Depois chegam aos 16 ou 18 anos com uma ideia distorcida das relações sexuais”.

O psicólogo refere ainda que nas consultas prestadas pelo Instituto “há muitos pacientes com problemas de vício em videojogos ou viciados no ecrã do telemóvel. Mas ainda não temos casos de jovens que tenham entrado em comportamentos de autosabotagem por causa destas séries das plataformas de streaming”.

Até como forma de prevenção, Pedro Hubert entende que “devia haver um debate público sobre a violência gratuita destas séries, do género “Guerra dos Tronos” ou “Squid Game” e outros por terem uma forte componente de sexualidade e violência”.

Na série mais viral e global do momento, a sul-coreana “Squid Game” (ou “Jogo da Lula” em português), da Netflix, indicada para maiores de 16 anos, os funcionários da organização que concebeu os jogos infantis mortais vestem uns macacões coloridos e têm o rosto coberto com uma máscara com um de três símbolos geométricos: quadrado, círculo ou triângulo. Não têm nome e a hierarquia é definida pelos símbolos que lhes foram atribuídos.

Para a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos, que acompanha em consultas crianças e jovens até aos 24 anos, “esse pormenor desta série violenta ter personagens sem rosto é muito importante, porque retira a capacidade empática”. A “perversidade” de “Squid Game” está, na sua opinião clínica, em “colocar as pessoas num sentimento primário em que a intencionalidade empática não existe, logo, só nos identificamos com os personagens pela sobrevivência a todo o custo”.

Ana Vasconcelos está a estudar o “cérebro das probabilidades” (Bayesian Probability) que explora a seguinte tese: “antes de tratar qualquer informação sensorial, o cérebro precisa de ter uma antecipação humana. Ao ver personagens com símbolos geométricos desumaniza-as e coloca-as ao nível de robôs”.

A pedopsiquiatra avalia “Squid Game” como um “conteúdo perigoso” e “desaconselhável aos mais novos e adultos quando estamos a viver tempos de recuperação de uma pandemia global”. Entende até que “a série devia ser retirada do catálogo da Netflix enquanto o mundo estiver nesta fase ainda pandémica”.

“Até é mais interessante dizer o título em português, ‘Jogo da Lula’, um jogo baseado num animal que quase desconhecemos, sem osso e sem músculo”, observa.

O fenómeno da Netflix “é de uma enorme violência desumana e utiliza zonas do pensamento de sobrevivência em que o outro é sempre o inimigo”. Para Ana Vasconcelos, essa característica torna a série aditiva e faz com que “seja muito difícil aos adultos ter uma atitude educativa e explicar o conteúdo de forma pedagógica aos mais novos porque facilmente caem na armadilha de ficarem possuídos pela compreensão da luta extrema pela sobrevivência que os jogadores da série estão a ter”.

A pedopsiquiatra lembra que a pandemia da Covid-19 trouxe “muita solidão reprimida com instintos assassinos” e que os mais novos “estiveram meses sem relações com outros”. “Eu nunca tive tanta procura por parte de jovens nas idades dos 14 em diante como agora porque também nunca houve tanta ansiedade nesta faixa etária como agora”.

Pedro Hubert, psicólogo especialista em adições, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador, entende que “Squid Game” é um fenómeno como “Hunger Games”, “Casa de Papel” e outros similares, “em que só vai desenvolver violência em quem tiver predisposição para a violência. Torna-se muito perigoso é se for visto por jovens sozinhos e sem o acompanhamento de um adulto”.

Recorda que nos seus tempos de criança viu “muitos filmes de cowboys e índios e até filmes de terror e não foi por isso que fui agredir ou assustar pessoas”. “O problema é que hoje os miúdos estão muito sozinhos e os pais não fazem ideia do que eles andam a fazer ou a ver. No Instituto de Apoio ao Jogador temos jovens com problemas de visionamento de pornografia a partir dos 12 anos, por exemplo, porque veem conteúdos porno no telemóvel sem terem qualquer enquadramento de que a sexualidade não é aquilo. Depois chegam aos 16 ou 18 anos com uma ideia distorcida das relações sexuais”.

O psicólogo refere ainda que nas consultas prestadas pelo Instituto “há muitos pacientes com problemas de vício em videojogos ou viciados no ecrã do telemóvel. Mas ainda não temos casos de jovens que tenham entrado em comportamentos de autosabotagem por causa destas séries das plataformas de streaming”.

Até como forma de prevenção, Pedro Hubert entende que “devia haver um debate público sobre a violência gratuita destas séries, do género “Guerra dos Tronos” ou “Squid Game” e outros por terem uma forte componente de sexualidade e violência”.

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