Luís Borges: “Não é por alguém usar um brinco grande com brilhantes que vai ser menos homem”

Com uma reconhecida carreira como manequim, Luís Borges teve uma estreia impactante como designer na ModaLisboa, onde apresentou a colecção da Call Me Gorgeous, uma marca que quer primar pela diferença e cujos acessórios podem ser usados por qualquer pessoa. Nesta entrevista, Luís Borges fala sobre a sua paixão pela moda e o que mudou nesta indústria nos últimos 15 anos, mas também sobre o que ainda tem de mudar na sociedade para se acabar de vez com os preconceitos.



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Tem 15 anos de carreira como modelo, uma carreira de sucesso nacional e internacional em que teve oportunidade de participar em campanhas de algumas das principais marcas mundiais. Lembra-se da sua primeira campanha?

Este ano faço 15 anos de carreira e acho que está a ser um ano incrível. Além de comemorar 15 anos, consegui este feito na ModaLisboa. Há sempre aquele estigma de que só se pode ter uma profissão, que só se pode ser uma coisa. Ou seja, eu só poderia ser manequim. Mas acho que as pessoas podem ser várias coisas desde que trabalhem para isso. Lembro-me perfeitamente da minha primeira campanha, que foi para a Tommy Hilfiger. Foi há 12, 13 anos, e foi o que realmente me deu o lançamento para a minha carreira internacional. Comecei na moda aqui em Portugal, no Elite Model Look, depois mudei-me para a Central Models e agenciei-me lá. Foi aí que comecei a minha carreira internacional, e foi na Fashion Week a fazer desfiles internacionais. Entretanto, surgiu a oportunidade de viajar para Nova Iorque e comecei a fazer as campanhas internacionais que me deram o destaque que tenho hoje.

Foi um percurso difícil até atingir este nível de sucesso?

Acho que é fácil chegar ao topo, mas é difícil mantermo-nos lá, sem dúvida alguma. E posso orgulhar-me. Podem dizer-me que tenho mania, mas sempre soube o que queria para a minha carreira e o que queria fazer em moda. Houve uma altura em que parei um bocado porque quis dedicar-me à minha família, aos meus filhos, e sempre soube que isso poderia ter consequências. Mas acho que quando lutamos e quando nos esforçamos, conseguimos. Acho que esse é o problema de muitos manequins. Pensam que é só ir lá fora e fazer uma campanha ou desfiles internacionais e que vão virar megamanequins. Não! É um trabalho contínuo. Gosto mesmo de moda e, quando entramos nesta área, temos de gostar de moda e temos de conhecer o mínimo de moda, não é só achar que é fotografar e, depois, aparecer nos editoriais e nas campanhas. E irrita-me um pouco porque acho que os manequins, hoje em dia, mais por causa das redes sociais, querem ser manequins para serem famosos, mas isso não faz sentido. Eu vejo a moda como uma arte, e cada vez que ia, por exemplo, à ModaLisboa, ao Portugal Fashion, sentia-me um bocado triste quando as pessoas que iam assistir perguntavam quem era o criador e o que ele fazia. As pessoas não sabiam, e hoje, estando deste lado como creative director de uma marca, e tendo apresentado na ModaLisboa, sei o trabalho que isso dá e acho que as pessoas têm de ter um bocado mais de respeito pela moda, que é uma arte que em Portugal, às vezes, não é muito valorizada.

Quando começou já sentia esse gosto pela moda ou foi algo que se foi desenvolvendo ao longo dos anos?

Foi-se desenvolvendo ao longo dos anos. Eu vivi em Castelo Branco durante 18 anos, que é uma cidade, um meio que é muito pequeno, muito fechado. Basicamente, também não poderia ser eu enquanto pessoa e aquilo que gostava de mostrar. Acho que o estilo reflecte muito a personalidade de cada pessoa e acho que conseguimos mostrar aquilo que somos através da maneira como nos vestimos, quando é uma coisa que não é pensada e nasce connosco. Às vezes, há pessoas que se esforçam demais e aquilo não faz sentido. É um boneco que as pessoas criam mas, depois, no dia-a-dia, não conseguem levar esse boneco avante. Eu sempre gostei de moda, mas quando vim para Lisboa e comecei realmente a perceber que havia tanta coisa à minha volta, e quando comecei a viajar e a trabalhar com grandes designers, a poder comprar peças de designers, comecei a interessar-me muito mais. Posso admitir que fui para trabalhos e não sabia quem eram as pessoas com quem estava a trabalhar. Acho que, quando não se sabe uma coisa, faz-se uma pesquisa e informamo-nos, e é isso que tenho feito ao longo dos anos. Alguns manequins não querem aprender com os outros, mas é muito importante quando o fazemos e quando nos sentimos inspirados pelo trabalho de outra pessoa. Por exemplo, adoro o trabalho do Sean O’Pry, do Jon Kortajarena, que são manequins que já estão no mercado há muito tempo. Acho que não tem mal dizer que vi fotografias deles para me inspirar e ver o que podia fazer em set. É algo normal.

Acreditou sempre que ia vingar no mundo da moda?

As pessoas sempre acreditaram mais em mim do que eu próprio. Tenho duas grandes amigas, a Sara Sampaio e a Ana Sofia Martins. A Ana Sofia sempre me disse que eu posso dar muito mais do que dou porque, às vezes, não acredito em mim, a realidade é essa. Quando estamos expostos e as pessoas não conseguem separar a vida privada do trabalho e misturam tudo, e fazemos campanhas tão boas e não se vê o reconhecimento, que eu acho que é importante, houve momentos em que achei que não era capaz ou não era merecedor do que me estava a acontecer. Hoje em dia tenho noção de que fui merecedor e que trabalhei para isso, sem dúvida.

A profissão de modelo mudou muito nestes 15 anos?

Muito mesmo. Quando comecei, a primeira Fashion Week que fiz foi em Paris, e fiz semi-exclusivo Dior. Depois desfilei para a Yves Saint Laurent, Hermès e Kris Van Assche. Na altura, quando fui para Paris, não havia negros na moda. No máximo havia dois ou três modelos negros. A verdade é que cada vez vemos mais negros nas passerelles e isso, para mim, significa representatividade, e foi isso que quis mostrar no desfile da Call Me Gorgeous. Finalmente perceberam que tem de haver diversidade, tem de haver todo o tipo de pessoas, todo o tipo de corpos, de cor de pele, e não podem ser só loiros de olhos azuis, os Kens. Isso já não se usa, era assim há muitos anos. O mundo mudou, as redes sociais vieram mudar muita coisa, A verdade é que a família Kardashian, podem dizer mal ou não, mas mudou a forma como se vê o mundo da moda. Muita coisa mudou. O desfile da Victoria’s Secret era superfamoso e mudou porque foi obrigado a isso, pois apenas usava mulheres lindas e magras. A moda vive muito de criatividade e há pessoas muito criativas. Quando apareceu a Rihanna com a sua marca, a Fenty, a percepção mudou porque ela mostrou que todos os corpos têm de estar numa passerelle.

Qual foi a inspiração para a apresentação da sua colecção na ModaLisboa?

Quando fui convidado pela Eduarda Abbondanza e pela equipa da ModaLisboa, achei que eram um bocado malucos, porque a minha marca era muito comercial. Tenho noção de que Portugal tem um bocadinho aversão ao que é português. “Ah, se é português não vamos comprar, porque não é bom.” Mas, depois, esquecem-se de que, se calhar, 70% das marcas internacionais são produzidas em Portugal. Portanto, a minha marca era muito comercial, era para o meu público, as miúdas e os miúdos que me seguem, e pensei que fazer a ModaLisboa era difícil. Eu via o que os designers sofriam, porque é um investimento gigante, as pessoas criticam tudo, se está bem feito ou mal feito, e, além disso, eu não sou criador. Ser modelo e criar uma marca não faz sentido para muita gente. Os olhos estavam postos em mim para ver o que ia acontecer. Aceitei o desafio para mostrar que a Call Me Gorgeous não é um simples “B” que as raparigas podem usar na orelha. Quero que a minha marca empodere as mulheres. Quero que se sintam empoderadas e que sintam bem quando usam as minhas jóias, as minhas criações. É isso que me dá gozo, ver as pessoas na rua e darem-me os parabéns porque as usam e gostam. O conceito para a ModaLisboa levou algum tempo a ser pensado, porque eu mudo muita coisa. Num dia penso uma coisa e amanhã, se calhar, é outra. Penso muito à noite e a minha parte criativa sobressai nessa altura. Pensei que era a minha primeira vez, que ia fechar sábado e que não podia ser um desfile, porque todos fazem isso. Estava a ouvir uma música e foi aí que surgiu a ideia de ter bailarinos da Companhia Nacional de Bailado, que foram coreografados pelo Miguel Esteves, que é meu amigo há 20 anos, desde o tempo do Hi5. Quero que as pessoas conheçam novos talentos, e o Miguel é um talento nato. E eu quis juntar duas formas de arte, a moda e a dança, e quis passar sensações, e o objectivo foi mais do que concretizado. Em termos de colecção, quis tentar mostrar um “B” de maneiras diferentes, que pode ser mais do que um simples brinco, pode ser várias coisas.

O que significa para si apresentar-se como designer, ver a sua colecção na ModaLisboa? Imagino que tenha um carinho especial por este evento.

A ModaLisboa foi a primeira passerelle portuguesa que pisei. Foi o meu primeiro desfile, há muito tempo. Fiz a ModaLisboa durante muitos anos. Depois decidi que não fazia mais sentido continuar a fazer porque acho que as novas caras têm de ter oportunidades, e eu já estava a desfilar há muito tempo. Para mim, foi óptimo fazer esta estreia. Não estava à espera do convite, muito sinceramente. Mas foi uma estreia em grande na ModaLisboa, porque me sinto em casa e até brincavam comigo que eu faço parte da mobília. Agora, como designer, acho que faço parte da mobília para sempre ou, pelo menos, durante alguns anos. Depois, também tinha lá muitos amigos que gostam de mim. É muito importante ter pessoas que nos apoiam e acreditam no nosso trabalho. E os meus amigos não são o tipo de pessoas que dizem “isto é lindo, maravilhoso”, e só dizem isso. Não, eles fazem críticas construtivas e eu gosto disso, porque ajuda na evolução do meu trabalho.

Sentiu um nervosismo ou uma ansiedade maior do que quando desfila?

Senti muita ansiedade porque a pressão era muita. As pessoas não sabiam o que eu ia apresentar, a Eduarda não sabia bem o que eu ia fazer. Os meus amigos também não sabiam e, então, quis surpreender. Mas estava ansioso porque juntar dança com moda e manequins tinha de ser bem coreografado, e na ModaLisboa não há tempo para muitos ensaios porque são muitos desfiles. Fizemos apenas um ensaio e, realmente, correu bem e como esperado. Estava muito ansioso e nervoso e só me caiu a ficha quando o desfile acabou.

Porquê o nome Call Me Gorgeous?

O nome surgiu porque, na primeira vez que fui a Nova Iorque, entrei na minha agência, que, na altura, era a DNA. Eu estava todo de preto e o meu booker disse: “You are so gorgeous!” [“Estás tão lindo!”]. Então, todos os dias, quando ia à agência, ele chamava-me Luís Gorgeous, e peguei nesse gorgeous e pensei em Call Me Gorgeous, porque acho que é um nome que fica no ouvido. É um nome giro, dá para brincar, e a minha colecção e os meus brincos são gorgeous. E as pessoas que usam também são gorgeous. Quero que toda a gente use. Não foi feita para um nicho, quero que todas pessoas que se sintam confortáveis com as minhas peças as usem, tanto mulheres como homens. Não é por alguém usar um brinco grande com brilhantes que é menos homem.

Onde está a ser vendida a colecção? Há algum espaço físico?

Não, a minha marca só está à venda online. Sei que as pessoas querem muito uma loja física, mas é passo a passo. Sou uma pessoa muito consciente e, quando se tem uma marca, sabe-se dos custos que isso acarreta. A colecção vai estar disponível no nosso site dentro de duas semanas e vêm aí muitas novidades. Sei o que quero para a minha marca. Adorava ter uma loja física, mas tem de ser uma coisa muito bem pensada e muito bem conseguida. Por agora, está à venda online e o online é o futuro.

Quando sentiu que estava na altura de lançar uma marca e enveredar por este caminho?

Acho que todos nós temos sonhos e ter uma marca, para mim, sempre foi um sonho, por ser manequim, por gostar de moda, por gostar de roupa, de acessórios. Decidi que queria ter uma marca e surgiu a oportunidade. Foi uma questão de pensar no que queria e concretizar. Claro, é um processo difícil, também porque temos o problema de as fábricas, em Portugal, não apoiarem novas marcas ou pequenas marcas devido à questão das quantidades. Normalmente, quando pedimos uma peça, as fábricas pedem-nos um mínimo de quantidade que é uma loucura, e temos de tentar outra fábrica. Acho que as pessoas não têm noção do que é ter uma marca. Devem achar que é muito fácil, mas há muitos contratempos e problemas. Ainda assim, no fim, acho que corre tudo bem. Outro dos meus sonhos é ter, um dia, uma agência de manequins.

É difícil ser designer em Portugal?

É difícil. Ou se tem um apoio monetário para suportar ou é impossível. Com a pandemia, muitos designers deixaram de se apresentar na ModaLisboa porque é insustentável. Hoje em dia, já se compra muito mais o que é português e de designers portugueses, mas há quem não o queira fazer. É verdade que há peças que são caras, porque têm um valor, mas as pessoas não conseguem perceber porque é tão caro. Se calhar, se forem a uma Gucci e comprarem uma sweatshirt a mil euros, acham o máximo, mas a verdade é que aquilo pode ter um valor real de 20 euros.

A Call Me Gorgeous pretende celebrar a diversidade e ir contra o preconceito. É uma afirmação daquilo que quer defender e mudar na sociedade?

Sim, como é óbvio. Senti isso na moda quando comecei porque era o miúdo gay, por ser um bocado efeminado, e quero combater isso. Acho ridículo que haja rótulos. As pessoas não percebem porque é que há o mês gay mas, depois, lemos notícias de tudo o que acontece no mundo de transexuais que são assassinados, e as pessoas não percebem o porquê de haver este mês. Não basta ser famoso, temos de ter uma voz em certos assuntos. No que me diz respeito, tenho três filhos adoptados. O Bernardo tem trissomia 21, eu já fui casado com outro homem. Então porque é que não posso ter voz neste assunto que me é tão familiar e que me deixa, às vezes, tão incomodado? Não quero que os meus filhos passem na rua e lhes digam: “Ah, o teu pai é paneleiro.” Eu sou gay e tenho três filhos, sei de todas as dificuldades e que as pessoas são más. Graças a Deus, os meus filhos são bem resolvidos e sabem que somos uma família normal, e mostro-lhes outras famílias que também têm filhos adoptados, que são negros, brancos. Espero que, daqui a uns anos, os meus filhos estejam num mundo seguro, o que acho que vai ser difícil.

Acha que a sociedade portuguesa tem evoluído de forma positiva relativamente à diversidade? Ainda existe muito preconceito ou isso tem mudado com as novas gerações?

Há uma coisa que é engraçada, porque acho que as novas gerações são piores. Já passei por uma situação na rua em que estava um grupo de miúdos, que deviam ter 17 anos, e um deles disse: “Aquele paneleiro levava com o capacete na cabeça.” Eu, que não deixo nada por dizer, respondi-lhe: “Então dá-me lá com o capacete.” Acha que ele me respondeu? As novas gerações ainda me assustam mais, porque deviam ter outro tipo de mentalidade e não fazerem este tipo de comentários. Por isso é que temos o problema do bullying nas escolas, há muitos miúdos que são maltratados. São as novas gerações, a realidade é essa. Ainda há muita coisa a mudar. Acho que, para as pessoas mais velhas, a diferença é mais bem aceite do que para as novas gerações. Acho que as novas gerações passam a ideia de aceitação porque isso é fixe. Mas, depois, nas redes sociais, se vêem uma notícia sobre mim ou sobre o Manuel Luís Goucha, o Cláudio Ramos, que são pessoas assumidas, vemos os comentários e percebemos que nada mudou. Não faz sentido. Há muitas pessoas que dizem que aceitam, mas não têm de aceitar nada, têm de respeitar as pessoas.

Assumir a sua homossexualidade foi algo natural, sentiu-se completamente à vontade?

Não devemos ter de assumir nada. As pessoas devem ser o que querem e bem lhes apetece. O mundo seria muito mais feliz se não existissem rótulos e as pessoas pudessem amar e envolver-se com as pessoas que quisessem, sejam homens ou mulheres. Não devia existir o rótulo de heterossexual, homossexual, bissexual. Isso devia acabar. Quando eu me assumi, para mim, isso foi natural; para a minha família também, embora achasse que pudesse ser mais difícil. Para as outras pessoas foi um choque, também pelo facto de me ter assumido com uma pessoa que era 20 anos mais velha do que eu e que era uma figura pública (Eduardo Beauté) . Também por tudo o que escreveram sobre mim: “Só está com o velho por causa do dinheiro.” Isso deixou-me triste porque as pessoas não me conhecem. Sei que passo uma imagem distante, mas isso advém da forma como algumas pessoas me trataram quando cheguei a Lisboa, é uma defesa. Nós fomos criticados por termos adoptado três filhos, por um deles ter trissomia 21, acharam que era só para nos aproveitarmos da situação. Mas se for uma celebridade internacional a fazê-lo, como a Angelina Jolie ou a Madonna, já não dizem isso. Há dois pesos e duas medidas. São coisas que me revoltam.

Face à vossa exposição naquela altura, sente que ajudaram a mudar a percepção que existia de casais LGBT que adoptam crianças?

Eu e o Eduardo nunca fizemos nada para nos enaltecerem. Quando as pessoas me dizem que sou um herói porque tenho três filhos adoptados, eu discordo. Acho que é algo normal. Todas as famílias que possam adoptar deviam adoptar. É legítimo casais gay quererem ter filhos através de barrigas de aluguer. Mas quando eu e o Eduardo fomos a Cabo Verde, fomos a uma instituição e vimos 12 crianças fechadas num quarto a dormir em quatro camas. Isso é triste, perceber que aqueles crianças não têm uma família. Por isso, tudo o que fizemos, por sermos o primeiro casal gay a casar, a adoptar crianças, foi pioneiro e veio mudar muitas mentalidades. E fico feliz por ter mudado isso. Mas não o fiz para as pessoas dizerem “bravo”. Fi-lo por ser um sonho que tinha. Sempre quis ter filhos, sempre quis adoptar crianças. Eu sou adoptado, portanto, já tenho esse background.

Há pouco disse que quer acreditar pelos seus filhos que o futuro será melhor e que as coisas vão mudar e ser mais positivas. Quando vê o que está a acontecer actualmente, não só em Portugal, com movimentos políticos e sociais de extrema-direita, muitos dos quais defendem valores de intolerância, misoginia, xenofobia, homofobia, isso assusta-o?

Sim, é algo que me assusta, porque acho que vão passar muitos anos até isso mudar. Temos o caso do Brasil, com o Bolsonaro. Aquilo é a loucura. Não percebo como é que há pessoas que votam numa pessoa com os ideais que ele tem, ou no Trump. É como falámos há pouco: as pessoas aceitam só porque sim e depois votam em partidos com esses ideais, que eu reprovo. Claro que me preocupa. Mas não posso fazer nada. Sou só uma pessoa. Tem de ser um trabalho de equipa. O único trabalho que consigo fazer é tentar dar uma boa educação aos meus filhos e protegê-los ao máximo de tudo o que possam ouvir e vir a viver. Tenho 34 anos e as pessoas pensam que sou um miúdo mas, enquanto pai, sou muito sério. Brinco, como é óbvio, mas há coisas importantes. Peço-lhes que estudem, que sejam amigos entre eles e que respeitem as outras pessoas. Faço o meu trabalho enquanto pai e cidadão, mas não está nas minhas mãos mudar o mundo.

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