Zelenski fura bloqueio e pede ajuda a Pequim

O Presidente ucraniano apelou à intervenção da China no conflito criado pela Rússia quando invadiu a Ucrânia, numa altura em que Pequim quer mostrar capacidade militar face ao que considera ser uma provocação norte-americana. Turquia e ONU ganham pontos num xadrez complexo.



No mesmo dia em que a visita da presidente da Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano, Nancy Pelosi, a Taiwan despertou a fúria da China sob os céus e sobre o mar, em torno e por cima da ilha, que alguns países - talvez 15, mas as fontes não são coincidentes - reconhecem como independente, o Presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, apelou ao Presidente chinês, Xi Jinping, para se envolver directamente na questão ucraniana.

No quadro geopolítico - em que as coincidências tendem a ser a última coisa a acontecer - e perante o extremar das relações entre a China e os Estados Unidos, Zelenski parece não estar interessado em deixar de contar com um eventual e futuro apoio do “Império do Meio”. O problema - já detectado há vários meses - reside no facto de, quanto mais a China for confrontada pelos “ódios” dos Estados Unidos, mais Xi Jinping, o seu líder máximo, tenderá a insistir na condescendência com que observa a evolução das tropas russas em solo ucraniano.

Sendo a visita de Nancy Pelosi considerada por vários países - entre eles, uma inesperada Coreia do Sul - um acto de provocação que devia ter sido evitado, Zelenski fez coincidir o seu pedido com as manobras militares em evolução até domingo, pretendendo dar nota de que a Ucrânia não entra no jogo perigoso da crispação para os lados do Mar da China.

“É um Estado muito poderoso, é uma economia poderosa que pode influenciar política e economicamente a Rússia”, disse o Presidente da Ucrânia, citado pelo jornal South China Morning Post, para recordar que “o país é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU” - curiosamente porque, no início da década de 1970, os Estados Unidos apoiaram activamente a substituição da delegação de Taiwan, de Chiang Kai-shek, pela da China, de Mao Tsé-Tung, como legítima representante do povo chinês.

Até agora, a China recusou-se a condenar a invasão da Rússia e Xi Jinping disse ao Presidente russo, Vladimir Putin, pouco antes do início da guerra, que apoiaria a “soberania e segurança” da Rússia. E recusou também votar favoravelmente qualquer resolução das Nações Unidas que implicasse a condenação da invasão.

Leia o artigo na íntegra na edição do NOVO que está este sábado, dia 6 de Agosto, nas bancas.

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