Tensão volta a aumentar entre a Sérvia e o Kosovo

Os governos dos dois países estão envolvidos numa acesa troca de acusações.



O Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, acusou o governo kosovar, liderado por Albin Kurti, de estar a preparar a perseguição e morte de sérvios que vivem no norte do Kosovo, sob a capa de perseguição a elementos ligados ao crime organizado. A acusação surge como resposta a uma entrevista do primeiro-ministro do Kosovo à Radio Free Europe, em que acusou Vucic de orquestrar violência na fronteira comum, na tentativa de instigar o medo dos sérvios étnicos e de preparar o terreno para confrontos mais violentos.

A troca de acusações dá-se depois de manifestantes sérvios étnicos terem bloqueado estradas de acesso a duas passagens de fronteira com a Sérvia no norte de Kosovo, depois de o governo kosovar ter informado que iria obrigar os automóveis sérvios que entrassem no território a usar matrículas do Kosovo e os próprios sérvios que atravessassem a fronteira a usarem documentos pessoais provisórios passados pelas autoridades sérvias.

Face aos protestos, as medidas foram suspensas, mas a tensão baixou apenas sensivelmente. As estradas foram desbloqueadas mas, segundo a imprensa local, os atritos continuam, até porque os cerca de 50 mil sérvios étnicos que vivem no norte do Kosovo não podem exibir as suas identificações sérvias, dado não serem reconhecidas pelas autoridades.

A Sérvia mantém a recusa de reconhecer a independência do Kosovo, unilateralmente anunciada em 2008, e a tensão entre os dois países é um dos maiores problemas que a União Europeia enfrenta nesta fase de adesão dos Balcãs Ocidentais ao bloco. Para os observadores, tudo está agora dependente de um encontro entre Vucic e Kurti que, se tudo correr como previsto, terá lugar em Bruxelas a 18 de Agosto. A Alemanha tem sido o país europeu mais envolvido nas negociações entre os dois países balcânicos.

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