Seis dias de guerra simulada e de tensão real no Mar da China

A República Popular da China reagiu com demonstrações de poder bélico à visita da presidente da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos da América a Taiwan, com exercícios militares que incluíram fogo real e o lançamento de mísseis balísticos. Nem todos os aliados ficaram satisfeitos com esta acção quando se desenrola uma guerra na Ucrânia.



Até amanhã e desde terça-feira, as tropas chinesas estão em exercícios ao largo da ilha de Taiwan, os maiores de sempre, com a utilização de fogo real, naquilo que é o sinal mais claro da fúria que se instalou na cúpula do poder de Pequim devido à visita de dois dias feita por Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, à ilha.

A viagem de Pelosi não trouxe qualquer novidade - foi tão-somente a repetição das promessas anteriores de empenho -, mas serviu para recordar à China que o país está no topo da agenda internacional norte-americana, por muito que a Rússia esbraceje na tentativa de recuperar essa distinção. E serviu também, como disse ao NOVO o embaixador Francisco Seixas da Costa, para insistir em que os Estados Unidos não tolerarão nem qualquer incursão militar da China em Taiwan, nem a assunção de que o estreito de mar que medeia entre a ilha e o continente possa algum dia deixar de ser considerado como águas internacionais.

É preciso ter em consideração, recorda Seixas da Costa, que a China é, enquanto potência económica, política e militar, o elemento que concentra “ódios” de democratas e de republicanos - o que transforma qualquer acção contrária à sua vontade num poderoso instrumento de política interna. Numa altura em que as eleições intercalares estão a três meses de distância, a administração de Joe Biden não pode dar-se ao luxo de deixar de usar a China como elemento catalisador. “As diferenças de pontos de vista entre Nancy Pelosi e o Presidente Joe Biden pareceram uma versão do polícia bom e do polícia mau”, diz Seixas da Costa - ou, dito de outra forma, não passaram de uma cortina de fumo que escondia (mal) todos os recados que os norte-americanos entenderam ser altura de repetir ao governo do Presidente chinês, Xi Jinping.

Leia o artigo na íntegra na edição do NOVO que está este sábado, dia 6 de Agosto, nas bancas.

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