Rússia vai esgotar em breve capacidades de combate. Equilíbrio de forças pode voltar a favorecer a Ucrânia

Analistas ocidentais argumentam que a ofensiva russa no Donbass pode ser forçada a uma “paragem significativa”.



As forças russas vão esgotar em breve as suas capacidades de combate, prevêem analistas ocidentais contactados pelo The Washington Post. Para estes especialistas, a Rússia será forçada a interromper a sua ofensiva no Donbass, onde tem vindo a registar ganhos consistentes no terreno, como atesta o facto de ter capturado na sexta-feira passada a cidade de Severodonetsk.

“Vai chegar o momento em que os pequenos avanços que a Rússia está a registar vão tornar-se insustentáveis à luz dos custos e eles vão precisar de uma paragem significativa para regenerarem as suas capacidades” militares, afirmou ao Post um analista ocidental.

Os ganhos russos no leste da Ucrânia estão a ser feitos à custa de grandes quantidades de munições, nomeadamente através de bombardeamentos, que estão a ser disparadas a um ritmo que quase nenhuma força militar no mundo pode suportar por muito tempo, assinalou o analista. Ao mesmo tempo, a Rússia está a sofrer fortes perdas de soldados e de equipamento, o que dificulta ainda mais a sustentabilidade da sua ofensiva no Donbass.

Estas previsões vão ao encontro daquilo que o primeiro-ministro britânico indicou recentemente numa entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung. Nessa entrevista, Boris Johnson realçou que a Rússia só vai ser capaz de manter os esforços militares “nos próximos meses”, depois disso vai chegar a um ponto em que não vai ter “ímpeto porque esgotou os seus recursos”.

Os especialistas acreditam que o equilíbrio de forças neste conflito pode voltar a favorecer a Ucrânia nos próximos meses. O general Ben Hodges, antigo comandante das forças dos Estados Unidos na Europa, considera que as condições para as tropas ucranianas só vão melhorar à medida que recebem armas mais sofisticadas dos aliados ocidentais. Já as condições dos militares russos devem piorar, com a necessidade de recorrerem a equipamento mais antigo.

Hodges acredita por isso que o novo equipamento vai permitir às forças ucranianas contra-atacarem e reverterem o rumo da guerra. “Mantenho-me muito optimista de que a Ucrânia vai ganhar, e que no final deste ano a Rússia vai recuar para a linha de 24 de Fevereiro”, disse, num referência aos limites das zonas capturadas pela Rússia durante os combates de 2014 e 2015.

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