Repressão dos talibãs está a “sufocar” as mulheres no Afeganistão, acusa Amnistia Internacional

Relatório da organização destaca os abusos e tortura sofridos pelas mulheres que protestaram contra as restrições implementadas pelo governo talibã, incluindo no acesso ao trabalho. Casamentos infantis dispararam.



A Amnistia Internacional divulgou esta quarta-feira um relatório que destaca o impacto que a repressão dos talibãs está a ter nas mulheres e raparigas afegãs. Segundo a Amnistia Internacional, a repressão imposta pelo governo talibã desde que assumiu o poder há quase um ano está a “sufocar” as mulheres.

As restrições que implementaram desde então contrariaram as suas declarações iniciais. Os talibãs admitiram na altura que poderiam autorizar as mulheres a continuarem a trabalhar e as raparigas a prosseguirem com a sua educação.

No entanto, formaram um governo composto exclusivamente por homens, pejado de veteranos da linha dura. Não tardou para que proibisse as raparigas com mais de 11 anos de frequentarem a escola e restringiu o acesso das mulheres ao mercado de trabalho.

A Amnistia Internacional refere que os talibãs dizimaram as protecções às mulheres vítimas de violência doméstica, detiveram mulheres e raparigas por ofensas menores e contribuíram para o aumento de casamentos infantis. O documento da organização chama a atenção para os abusos e tortura sofridos pelas mulheres que protestaram contra as restrições aplicadas pelos talibãs.

“No conjunto, estas políticas formam um sistema de repressão que discrimina contra as mulheres e raparigas em quase todos os aspectos das suas vidas. Esta repressão sufocante contra a população feminina do Afeganistão está a aumentar de dia para dia”, indica a AI no relatório.

Os investigadores da organização não-governamental visitaram o Afeganistão em Março, no decurso de uma longa investigação realizada entre Setembro de 2021 e Junho deste ano. Entrevistaram 90 mulheres e 11 crianças no país. A Amnistia Internacional apela à comunidade internacional para agir de forma a proteger as mulheres e raparigas afegãs.

“Menos de um ano depois de os talibãs terem tomado o poder no Afeganistão, as suas políticas draconianas estão a privar milhões de mulheres e crianças do seu direito a viverem vidas seguras, livres e realizadas”, vincou a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard. “Se a comunidade internacional falhar em agir, vai abandonar as mulheres e raparigas no Afeganistão, e minar os direitos humanos em todo o lado”, acrescentou.

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