Presidente palestiniano acusa Israel de “50 Holocaustos”

As afirmações foram feitas durante uma conferência de imprensa conjunta com Olaf Scholz. O chanceler alemão acabou por não responder directamente aos comentários de Abbas, recorrendo depois ao Twitter para mostrar “repulsa” perante as declarações do líder palestiniano.



O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, acusou o exército israelita de cometer “50 Holocaustos” contra o povo palestiniano. A afirmação foi feita numa conferência de imprensa conjunta com o chanceler alemão, Olaf Scholz, durante uma visita oficial à Alemanha, que decorreu esta terça-feira.

A terminar a visita, já no final do dia, um jornalista alemão perguntou a Abbas se o líder consideraria pedir desculpas pelo ataque feito a cidadãos de Israel por militantes da Palestina, durante os Jogos Olímpicos de 1972, em Munique. Como resposta, o presidente afirmou que, do lado israelita, contam-se já “50 massacres” cometidos, lembrando ainda que, até hoje, continuam a morrer palestinianos “todos os dias”, pelas mãos das forças militares de Israel.

Recorde-se que o grupo envolvido no ataque dos anos 70, Setembro Negro, matou 11 atletas israelitas e um polícia alemão e estava ligado ao partido de Abbas, o Fatah.

No início da conferência de imprensa, Scholz já lamentara o facto de Abbas descrever Israel como um perpetuador de um “sistema de apartheid”. Acabou por não responder directamente às afirmações do presidente palestiniano, apertando-lhe a mão no final da conferência de imprensa. Mais tarde, porém, recorreu ao Twitter para anunciar a sua “repulsa” perante as declarações do seu convidado, afirmando que, para os alemães, “qualquer relativização da singularidade do Holocausto é intolerável e inaceitável”. Termina a publicação condenando “qualquer tentativa de negar os crimes do Holocausto”.

O chefe da missão diplomática da Palestina acabou por ser convocado à chancelaria alemã, na tarde desta quarta-feira, informou a agência Reuters. As afirmações de Mahmoud Abbas também geraram descontentamento entre vários políticos alemães. Armin Laschet, o candidato conservador que perdeu para Scholz nas eleições federais de Setembro passado, escreveu no Twitter que o líder da Organização de Libertação da Palestina “ganharia simpatia se se tivesse desculpado pelo ataque terrorista contra atletas israelitas nas Olimpíadas de Munique em 1972”, dizendo mesmo que “acusar Israel de 50 Holocaustos é o discurso mais repugnante alguma vez ouvido na chancelaria alemã”.

Também a imprensa alemã reagiu às polémicas afirmações do presidente da Autoridade Palestiniana. O jornal Bild criticou Scholz por não confrontar directamente Abbas quanto à sua escolha de palavras, descrevendo-as como “a pior relativização do Holocausto que um chefe de governo já proferiu no gabinete do chanceler”. Marie-Agnes Strack-Zimmermann, do Partido Democrático Livre (que faz parte da coligação de Governo), criticou, por sua vez, o porta-voz do chanceler por não ter dado tempo a Scholz para responder.

Já Yair Lapid, o primeiro-ministro de Israel, disse que os comentários de Abbas são “não apenas uma desgraça moral, mas também uma mentira monstruosa”, sobretudo por terem sido feitos “em solo alemão”.

A visita do líder palestiniano a Berlim surgiu após uma viagem a Paris em Julho, vista como parte de um amplo esforço diplomático para despertar o interesse europeu pela causa da Palestina, perante o interesse aparentemente enfraquecido dos Estados Unidos em reiniciar um processo de paz no Médio Oriente.

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