O mundo ficou oficialmente dividido em dois blocos

A cimeira da Aliança Atlântica que se realizou em Madrid aprovou o reforço do contingente militar e estabeleceu um novo conceito estratégico que divide o globo entre democracias e autocracias. O Ocidente, liderado pela NATO, enfrenta o eixo Moscovo-Pequim, embora os russos sejam considerados o principal inimigo.



Os países da NATO, reunidos em Madrid, mobilizaram-se pela Ucrânia e aprovaram um novo conceito estratégico que divide o mundo em duas zonas de influência, com um bloco de democracias e outro de autocracias. Moscovo e Pequim são agora as ameaças principais da aliança, sendo a Rússia referida em termos particularmente duros.

Os 30 membros da aliança (em breve 32) concordaram em expandir a organização e reforçar o financiamento e preparação das forças. A Rússia é a nova ameaça primordial, em contraste com o papel de potencial aliado que tinha na anterior estratégia, aprovada na década anterior, numa cimeira em Lisboa. O dispositivo militar em caso de conflito passa de 40 mil soldados para 300 mil e foram reforçados os contingentes nos países bálticos e no flanco sul.

“A Federação Russa é a ameaça directa mais significativa para a segurança dos aliados, para a paz e a estabilidade na área euro-atlântica”, pode ler-se no documento sobre o novo conceito estratégico, que acusa Moscovo de promover “a coerção, subversão, agressão e anexação”. Há ainda um parágrafo sobre a China, cujas ambições “desafiam os nossos interesses, segurança e valores”.

Numa das passagens mais importantes do documento afirma-se que “a parceria cada vez mais profunda entre China e Rússia e os seus esforços mútuos para minar a ordem mundial baseada em regras são contrários aos nossos valores e interesses”. A China já reagiu a estas ideias, dizendo que a NATO tem uma “mentalidade de Guerra Fria”.

Também foi decidido prosseguir com a ratificação da adesão de Suécia e Finlândia, após a Turquia ter retirado a ameaça de veto. Ancara recebeu promessas sobre o estatuto de refugiados curdos naqueles países e, mais importante, sobre o levantamento de um embargo de compra de armas. Os turcos poderão adquirir caças de fabrico norte-americano.

Antes da invasão da Ucrânia, os Estados Unidos tinham 60 mil soldados na Europa. Agora, o contingente ronda 100 mil. A despesa conjunta dos países da NATO tem vindo a aumentar de forma regular nos últimos anos - dois terços da responsabilidade dos EUA, o resto de europeus e canadianos. A soma ultrapassará este ano 1050 mil milhões de dólares, um valor astronómico (1,05 biliões de dólares), cinco vezes o PIB português.

Para se avaliar o número, basta dizer que equivale a 15 vezes a despesa militar anual da Rússia ou três vezes a despesa militar de China e Rússia somadas. Todos os países da NATO estão a adquirir equipamento novo e a aumentar os gastos em percentagem de PIB. Portugal está no lote dos mais atrasados, com um gasto de apenas 1,44% do PIB este ano e concentração em pessoal que a NATO considera excessiva, pois é privilegiada a proporção dedicada ao equipamento e modernização.

Leia o artigo na íntegra na edição do NOVO que está, esta sexta-feira, dia 1 de Julho nas bancas.

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