Manifesto civil diz que democracia brasileira está em perigo. Bolsonaro menospreza documento

A carta foi publicada a 26 de Julho e tem já um milhão de assinaturas. Inspirou-se numa antiga declaração pró-democracia de 1977, após uma sucessão de comportamentos e declarações polémicas por parte de Jair Bolsonaro.



Num encontro recente com a Febraban (a Federação Brasileira de Bancos), Jair Bolsonaro menosprezou a “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros pela defesa do Estado Democrático de Direito”, um manifesto civil tornado público após suspeitas de que o Presidente possa vir a recusar uma derrota nas eleições nacionais de 2 e 30 de Outubro. Há mesmo quem o acuse de querer instaurar uma ditadura no país.

O líder máximo da República Federativa do Brasil ridicularizou o documento, chamando-lhe “cartinha” e associando-o aos movimentos políticos de esquerda. A reação surgiu após o manifesto ter sido lido em público em vários pontos do país perante milhares de ouvintes, na passada quinta-feira (dia 11 de Agosto). Conta já com um milhão de assinantes, entre os quais três ex-presidentes e vários músicos, como Caetano Veloso, Milton Nascimento e Anitta.

Publicada no dia 26 de Julho, a carta, inspirada numa declaração pró-democracia de 1977, surgiu após uma sucessão de comportamentos e declarações polémicas por parte de Jair Bolsonaro, nomeadamente quando denegriu publicamente o sistema de voto eletrónico que será usado nas próximas eleições.

Dois dias depois da publicação, Bolsonaro já tinha usado o Twitter para ironizar o documento, manifestando-se, ele mesmo, “a favor da democracia”. Mais tarde, apelidou-o de “uma nota política em ano eleitoral”.

O líder populista segue atrás do adversário de esquerda Lula da Silva, segundo as sondagens mais recentes. A verificar-se este resultado, Thomas Shannon, ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, prevê, em declarações ao jornal The Guardian, que o líder possa vir a tentar algo semelhante ao que Donald Trump fez nas eleições americanas de Janeiro, recusando o resultado e dificultando a saída do poder.

Walter Casagrande, antigo futebolista da seleção nacional brasileira, tem esperança de que o manifesto civil evite um golpe de estado, comparando-o ao movimento “Diretas Já!”, dos anos 80, que contribuiu para a queda da ditadura no Brasil. “[Bolsonaro] diz estar a defender a democracia e querer liberdade, mas não quer nada do género, pelo contrário. Ele quer ser um ditador”, atira, embora não acredite que tal desejo se venha a concretizar.

Perante as contestações, Bolsonaro aponta baterias aos atos de campanha, sobretudo à arruada prevista para o dia 7 de Setembro, em que pretende angariar mais apoiantes e inverter a tendência negativa mostrada pelas sondagens.

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