Mais de 200 revistas médicas e científicas pedem medidas urgentes para combater crise climática

Texto pede aos responsáveis políticos que acelerem uma transformação das sociedades para padrões de desenvolvimento mais sustentáveis que possam restaurar a biodiversidade, proteger a saúde e limitar o aumento da temperatura.



A adopção de medidas para combater a crise climática é urgente. Foi em prol dessa mensagem que mais de 200 revistas médicas e científicas de todo o mundo publicaram, num editorial conjunto, um apelo aos líderes internacionais para que tomem medidas urgentes.

Segundo o British Medical Journal, é a primeira vez que tantas publicações se juntam para transmitir a mesma mensagem, o que reflecte a severidade da situação.

O texto pede aos responsáveis políticos que acelerem uma transformação das sociedades para padrões de desenvolvimento mais sustentáveis que possam restaurar a biodiversidade, proteger a saúde e limitar o aumento da temperatura.

No editorial de mais de 220 publicações é defendido que este é um momento crucial para o planeta porque, apesar de a pandemia estar agora a monopolizar esforços e recursos, a maior ameaça para a saúde pública no futuro é a incapacidade de cumprir a meta estabelecida no Acordo de Paris: limitar o aumento da temperatura a 1,5º Celsius.

”A acção urgente sobre o clima e a crise natural não pode esperar pela pandemia”, de acordo com uma declaração divulgada pela aliança britânica para as alterações climáticas [UKHACC], organismo que coordenou a publicação conjunta.

Os processos alcançados na redução das emissões de gases com efeito de estufa e a implementação de políticas de conservação são assinalados na carta, contudo, é referido que estes são insuficientes, uma vez que devem ser acompanhados de planos a curto e longo prazo.

Países mais ricos devem agir mais rápido

O editorial refere que a cooperação global só será possível se os países mais ricos fizerem mais esforços para reduzir o consumo e apoiar o resto do mundo. Ao mesmo tempo devem aumentar a contribuição para a causa, de acordo com o compromisso de contribuir com 100 mil milhões de dólares (84 milhões de euros) por ano.

Dinheiro esse que, acrescenta o comunicado, deve ter a forma de subvenções e ser acompanhado pela anulação de dívidas maiores, uma vez que estas limitam a capacidade de acção dos países mais pobres.

“Embora os países de rendimentos baixos e médios tenham historicamente contribuído menos para as alterações climáticas, suportam os efeitos adversos de forma desproporcionada, incluindo na saúde”, escreveu Lukoye Atwoli, director do East Africa Medical Journal e um dos 19 co-autores do editorial.

Tedros Adhanom, director-geral da Organização Mundial de Saúde [OMS], concordou que os riscos colocados pelo aumento da temperatura podem diminuir os colocados por qualquer doença.

“A pandemia de covid-19 vai acabar, mas não há vacina para as alterações climáticas. O relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) mostra que cada pequeno aumento de temperatura coloca a nossa saúde e o nosso futuro em risco. Do mesmo modo, cada medida que limita as emissões e o aquecimento aproxima-nos de um futuro mais seguro e saudável”, disse, na declaração do UKHACC.

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