Mais de 1.400 golfinhos foram mortos num só dia nas Ilhas Faroé

Carcaças dos animais foram puxadas para terra e distribuídas à população para consumo. Caçada foi considerada excessiva e deixou os habitantes em choque.



É uma tradição com centenas de anos nas Ilhas Faroé, que consiste em encurralar, com o auxílio dos barcos, golfinhos ou baleias numa baía. Aí, os animais são mortos por pescadores que permanecem em terra. No passado domingo, numa “captura recorde”, mais de 1.400 golfinhos-de-faces-brancas foram mortos e a caçada gerou revolta na região.

No território remoto pertencente à Dinamarca, as carcaças dos animais foram puxadas para terra e distribuídas à população para consumo. A caçada, no entanto, foi considerada excessiva e deixou os habitantes em choque.

Em entrevista à BBC, o presidente da Associação de Baleeiros das Ilhas Faroé, Olavur Sjurdarberg, reconheceu que a caçada foi “um grande erro”, defendendo que se estimava que a operação de caça envolvesse apenas 200 golfinhos e não os 1.423 que foram mortos.

A captura foi, contudo, autorizada pelas autoridades locais e, apesar da revolta na região, o governo local das Ilhas Faroé defendeu a matança dos mais de 1.400 golfinhos. “Não há dúvida de que a caça aos cetáceos nas Ilhas Faroé é um espectáculo dramático para as pessoas pouco habituadas à caça e abate destes mamíferos. Mas estas caçadas são bem organizadas e totalmente regulamentadas”, disse à AFP um porta-voz do governo de Torshavn.

Os defensores desta actividade afirmam ainda que a caça às baleias é uma forma sustentável de recolher alimentos da natureza e uma importante parte da identidade cultural das Ilhas Faroé.

A organização não-governamental de conservação da vida marinha Sea Shepherd, que descreve o “grind” como uma “prática bárbara”, tem feito campanha para impedir a tradicional caçada desde os anos 1980. Sobre domingo, referiu-se à “maior matança de golfinhos ou baleias-piloto na história das Ilhas Faroé”.

De acordo com estimativas locais, há cerca de 100 mil baleias-piloto nas águas ao redor do arquipélago.

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