Israel constitui comissão parlamentar de inquérito sobre programa Pegasus

O programa informático, da companhia israelita de cibersegurança NSO, está no centro de um novo escândalo de espionagem de grande escala.



O parlamento de Israel constituiu uma comissão de inquérito na sequência das alegações sobre a "má utilização" para actos de espionagem do programa informático Pegasus por alguns países, disse esta quinta-feira um deputado israelita.

"Foi designada uma comissão composta por um certo número de grupos (parlamentares)" disse à rádio militar israelita, Ram Ben-Barak que dirige a comissão de Negócios Estrangeiros e da Defesa do parlamento de Israel.

"No final do inquérito (...) vamos avaliar se deveremos fazer correcções", acrescentou o deputado centrista e antigo director adjunto da Mossad, os serviços de informações israelitas.

O programa informático Pegasus, da companhia israelita de cibersegurança NSO, está no centro de um novo escândalo de espionagem de grande escala.

A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras já exigiu uma moratória em relação à venda dos programas e a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu "restrições" à comercialização do sistema.

As denúncias sobre actos de espionagem a telemóveis com recurso ao programa Pegasus têm vindo a ser feitas ao longo dos últimos anos, nomeadamente pela Amnistia Internacional, mas esta semana um grupo internacional de 17 órgãos de comunicação social revelou ter obtido uma lista de 50 mil números de telefone que foram alvo de vigilância.

Os números, de acordo com o portal da associação 'Forbidden Stories' e notícias na investigação jornalística, foram seleccionados pelos Estados clientes da empresa NSO desde 2016.

Os telemóveis foram alegadamente espiados e vigiados.

De acordo com a 'Forbidden Stories', o programa Pegasus vigiou os telemóveis de, pelo menos, 180 jornalistas, 85 activistas de direitos humanos e 14 chefes de Estado, nomeadamente o Presidente francês, Emmanuel Macron.

A NSO, que já foi acusada no passado de colaborar com regimes autoritários, garante que o programa Pegasus é unicamente usado para a obtenção de informações sobre redes de crime organizado ou grupos terroristas.

Esta quinta-feira, Shalev Hulio, presidente do grupo NSO, disse à rádio militar de Israel que está em curso uma "tentativa de 'sujar' a indústria cibernética israelita".

Capaz de se infiltrar nos sistemas informáticos, o programa Pegasus é considerado um produto de cibersegurança "ofensivo" e, por isso, tem de ter autorização do Ministério da Defesa de Israel para ser vendido a países terceiros, tal como acontece com a indústria de armamento.

O grupo NSO afirmou ainda que vendeu o programa Pegasus a "cerca de 40 países", depois de obter parecer positivo das autoridades de Israel.

As últimas denúncias sobre o programa informático já desencadearam um processo judicial em França que pretende investigar, nomeadamente, as acções de espionagem do reino de Marrocos que visaram cidadãos franceses ou residentes em território francês.

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