Governar o Brasil a olhar para fora

Num Brasil dividido e polarizado, Lula da Silva terá de governar com um enquadramento político adverso, enfrentando a posição muito relevante que os partidos de direita têm no Congresso e entre os governos estaduais, e obrigado a acomodar a ampla plataforma que tornou possível o regresso ao Palácio do Planalto. Combate à pobreza, reforço do investimento na saúde e no desenvolvimento social e económico são prioridades certas na governação, mas também o é uma decisiva aposta na política externa, em que a lusofonia terá um papel preponderante.



Lula da Silva venceu as eleições presidenciais brasileiras de 30 de Outubro com a mais curta diferença de sempre numa segunda volta e vai herdar um país profundamente dividido, enfrentando um quadro político em que impera uma maioria de direita no Congresso e em que a maioria dos estados são governados por apoiantes do Presidente cessante, Jair Bolsonaro.

A crispação entre os dois Brasis é de tal modo forte que, mesmo antes do dia da votação e imediatamente depois, discutia-se no espaço público o que os brasileiros rotulavam de “terceiro turno”, como que uma terceira volta que seria necessário enfrentar por Lula da Silva, pela possibilidade de Bolsonaro recusar os resultados eleitorais, pelo risco de se colocarem problemas no processo de transição e, ainda, por eventuais manifestações.

“Lula terá inúmeros desafios em frentes diferentes. Ele enfrentará oposição em 14 estados e apoio em 11, sendo dois considerados neutros. Também terá de se relacionar com um Congresso Nacional mais conservador, que deve ser liderado pelos agora senadores Sergio Moro [do Paraná], ex-juiz da Lava Jato, e Hamilton Mourão [do Rio Grande do Sul], actual vice-presidente”, diz ao NOVO Luiz Ugeda, advogado e fundador do site Geocracia, que acompanha as eleições brasileiras. “[Lula enfrentará] principalmente uma oposição renhida nas ruas, situação que ele nunca enfrentou mesmo em seus dias mais difíceis”, acrescenta.

No entanto, uma semana depois das eleições, mesmo com o atraso numa primeira declaração do ainda Presidente, com protestos e bloqueios de estradas, de se terem registado distúrbios e com um quadro político adverso, a expectativa é que a transição se concretize sem sobressaltos de maior.

Leia o artigo na íntegra na edição do NOVO que está, este sábado, dia 5 de Novembro, nas bancas.

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