Famílias escondem-se na floresta para fugir a conflitos em Myanmar

Confrontos entre grupos pró-democracia e as forças militares deixaram centenas de milhares de famílias desalojadas.



Khu Bue Reh abandonou a cidade de Demoso, Myanmar, com a mulher e o filho de cinco anos, em Maio de 2021, quando os confrontos entre grupos pró-democracia e as forças militares se agravaram.

Para fugir aos confrontos esconderam-se na floresta, alimentando-se da pouca comida que tinham. Sem ninguém a quem pedir ajuda, a família embarcou numa viagem desesperada até Loikaw, para levar o filho ao médico. Meses depois, com o filho no hospital, ficaram presos na cidade, que foi alvo de ataques aéreos.

A família de Khu Bue Reh’s é apenas uma das centenas de milhares que sofrem as consequências da crise humanitária que assola Myanmar.

Em declarações ao The Guardian, alguns dos cidadãos desalojados em Demoso dizem que os cuidados médicos estão apenas disponíveis para casos com pouca gravidade e denunciam escassez de medicamentos.

“Estamos doentes, mas não podemos ir a uma clínica”, disse um dos entrevistados, que optou por não revelar a identidade.

Já Khu Bue Reh, que está a braços com as despesas médicas do filho, diz ter gasto todas as poupanças a comprar medicamentos e comida. “Não posso ir para casa”, lamentou.

Em resposta à crescente resistência contra a tomada de poder pelas forças militares, estas colocaram um alvo em civilizações inteiras, com mais de 300 mil pessoas no país desalojadas desde o golpe de Estado, a 1 de Fevereiro de 2021.

O exército birmanês justificou o golpe com uma alegada fraude nas eleições de Novembro passado, em que o partido da líder deposta Aung San Suu Kyi conseguiu uma vitória clara, como aconteceu em 2015, e que obteve o aval dos observadores internacionais.

Logo após o golpe de Estado, os birmaneses responderam com um movimento de desobediência civil e grandes manifestações pacíficas, mas estas demonstrações de descontentamento foram reprimidas pelas autoridades militares e policiais, que usaram armas reais contra civis desarmados.

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