Estado de tensão internacional

O mundo já estava a mudar nos últimos anos, com a despesa global em armamento a crescer, de forma sustentada, com a afirmação de novos actores internacionais e a percepção de renovadas ameaças. A invasão da Ucrânia pela Rússia foi um ponto de viragem que aumentou a tensão de forma generalizada, multiplicando as demonstrações de força. As últimas semanas no Sudoeste asiático têm sido exemplo disso mesmo.



A China levou a cabo os seus maiores exercícios militares de sempre em redor de Taiwan, que duraram uma semana, em resposta à visita da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América, Nancy Pelosi, à ilha, fazendo escalar a tensão no Sudoeste asiático. Taipé respondeu também com manobras militares e a Casa Branca, apesar de minimizar o incidente, manteve no Mar da China o porta-aviões Ronald Reagan, na véspera dos mais participados exercícios que vai fazer naquela região do globo.

Na quarta-feira, a China deu por terminados os exercícios militares em redor de Taiwan, mas nem por isso a tensão na zona vai desaparecer, com Pequim a indiciar que vai patrulhar, “regularmente”, as águas em redor da ilha, enquanto Taipé, depois de finalizadas as movimentações militares chinesas, decidiu repetir exercícios próprios, como preparação para uma eventual invasão. Paralelamente, manter-se-ão as sanções económicas determinadas pela China a Taiwan, mesmo que os analistas as considerem pouco eficazes, dado o nível de integração das duas economias.

Uma visita extraordinária de rotina

O clima de tensão foi provocado pela visita de Nancy Pelosi a Taiwan, a mais alta representante norte-americana a fazê-lo em 25 anos, o que levou a China a protestar, por considerar que o evento põe em causa a “política de uma só China” definida por Pequim. A China considera Taiwan parte do país e uma província rebelde, desde que os nacionalistas do Kuomintang para lá se retiraram, em 1949, depois de derrotados na guerra civil que os opôs aos comunistas. “[A visita] tem um impacto severo nas relações China-EUA e infringe seriamente a soberania e a integridade territorial da China”, comunicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Tanto Washington como Taipé desvalorizaram a visita e a Casa Branca deixou mesmo claro que a decisão era da inteira responsabilidade de Nancy Pelosi, descartando uma posição de Estado. No entanto, a China respondeu com a realização de exercícios militares em redor de Taiwan, numa escala sem precedentes, que começaram a 4 de Agosto, no dia seguinte ao término da visita de Pelosi. Taipé insistiu que este tipo de visita é rotineira e que Pequim a aproveitou como desculpa para ameaçar a ilha.

Os exercícios envolveram pelo menos 14 navios e mais de seis dezenas de aviões e focaram-se em operações de assalto anfíbio e anti-submarino, tendo em conta que Taiwan dispõe de uma frota de 58 submarinos. Foi utilizado fogo real e foram disparados mísseis balísticos. Por diversas vezes, a fronteira informal no Estreito de Taiwan foi ultrapassada pelas forças chinesas. Os exercícios deveriam ter durado quatro dias, mas Pequim prolongou-os por uma semana.

Em resposta, Taiwan também desenvolveu no terreno manobras militares, por duas vezes, incluindo o disparo de obuses e de sinalizadores, em preparação de uma hipotética tentativa de invasão.

Uma semana depois de se iniciarem os exercícios militares, a China deu-os como terminados, com um porta-voz do Comando Oriental a declarar que “todas as tarefas foram cumpridas e as capacidades de combate das tropas em operações conjuntas integradas foram efectivamente verificadas”. Porém, um outro porta-voz do Exército de Libertação Popular, citado pela imprensa chinesa, garantiu que a China “continuará a realizar exercícios de preparação para combate, fará patrulhas regulares de prontidão de combate no Estreito de Taiwan e defenderá de forma resoluta a soberania nacional e a integridade territorial”.

Leia o artigo na íntegra na edição do NOVO que está este sábado, dia 13 de Agosto, nas bancas.

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