Durão Barroso diz que “desglobalização” afetará empresas portuguesas

“À incerteza em torno do desenlace da guerra na Ucrânia soma-se o processo de desglobalização, fragmentação e polarização do mundo que significará obstáculos crescentes ao comércio e a formação de dois blocos comerciais”, disse Durão Barroso no almoço promovido pela Crédito y Caución, referindo-se aos EUA e a UE, por um lado, e à China e à Rússia, por outro.



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A Crédito y Caución promoveu um almoço entre o ex-presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e algumas das principais empresas ibéricas presentes no World of Business Ideas (Wobi) que decorreu, na semana passada, em Madrid. Durante a sua participação, Barroso falou sobre o impacto das mudanças no cenário geopolítico e nas consequências, a médio e longo prazo, para as empresas e disse que “duas variáveis geoestratégicas vão marcar a evolução de 2023, a guerra na Ucrânia e os processos de desglobalização”.

“Não se vislumbra, a curto prazo, um possível compromisso entre as partes” que permita uma saída estável do conflito que se desenrola no leste europeu”, afirmou. “À incerteza em torno do desenlace da guerra na Ucrânia soma-se o processo de desglobalização, fragmentação e polarização do mundo que significará obstáculos crescentes ao comércio e a formação de dois blocos comerciais”, referindo-se aos EUA à UE, por um lado, e à China e à Rússia, por outro.

Como exemplo desta alteração geoestratégica, o ex-presidente da CE recordou que durante a crise financeira de 2008 a China apoiou a Europa com a compra de títulos da dívida pública, mas o atual nível de cooperação é muito mais fraco.

A companhia de seguros de crédito relata que o antigo primeiro-ministro de Portugal esteve acompanhado pelos diretores de Desenvolvimento Comercial, Francisco Castrillo, e Marketing e Comunicação, Enrique Díaz, da Crédito y Caución.

“Durão Barroso é um dos líderes europeus mais influentes dos últimos 20 anos. Como presidente da Comissão Europeia durante dois mandatos de cinco anos, desempenhou um papel influente na aprovação do Tratado de Lisboa, na resposta à crise financeira e na incorporação de novos membros na União Europeia”, acrescenta.

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