Director-geral da OMS critica indiferença face à crise no Tigray. Sugere que racismo pode explicar falta de interesse

Tedros Adhanom Ghebreyesus descreveu a crise na região do Tigray, na Etiópia, como “o pior desastre na Terra”.



O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, de nacionalidade etíope, criticou a indiferença da comunidade internacional face à crise humanitária na região do Tigray, que considera ser “o pior desastre na Terra”. Tedros voltou a sugerir que o racismo pode explicar a falta de interesse relativamente ao conflito que prossegue na Etiópia, e que envolve o governo liderado por Abiy Ahmed e as forças do Tigray.

O responsável da OMS questionou se a falta de interesse da comunidade internacional se deve “à cor da pele das pessoas” no Tigray.

O conflito na Etiópia começou em Novembro de 2020, e pouca ajuda humanitária chegou depois das forças do Tigray terem retomado o controlo de grande parte da região em Junho do ano passado. A ajuda começou a fluir mais substancialmente nos últimos meses, mas é amplamente descrita como inadequada para atender às necessidades dos milhões de pessoas que vivem no Tigray.

A retoma dos serviços básicos e bancários continua a ser uma das principais demandas dos líderes regionais do Tigray. Tedros Adhanom Ghebreyesus, que é de etnia Tigray, descreveu o conflito na Ucrânia como uma crise que poderia ser “a mãe de todos os problemas”, mas argumentou que o desastre no Tigray foi muito pior.

O director-geral da OMS disse que o povo do Tigray não tinha acesso a remédios e telecomunicações e foi impedido de deixar a região. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha relatou nos últimos meses remessas de alguns medicamentos.

Esta quarta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Etiópia disse que um comité de paz do governo adoptou uma proposta de paz “que levaria à conclusão do cessar-fogo” e que seria compartilhada com o enviado da União Africana, que está a trabalhar na mediação do conflito.

Um porta-voz das forças do Tigray, Getachew Reda, rejeitou a declaração do governo, afirmando num tweet que “se alguma coisa, o regime de Abiy Ahmed deixou bem claro que não tem apetite por negociações pacíficas, excepto como tácticas de atraso”.

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