Da preocupação de Marcelo aos “ventos de mudança” do Chega: as primeiras reacções à vitória da extrema-direita em Itália

Se Marcelo alertou para a sensibilidade dos mercados financeiros, o Chega manifestou a esperança de que esta mudança política chegue a Portugal. Direitos humanos em Itália preocupam governo francês.



A vitória da coligação de direita e extrema-direita nas eleições legislativas em Itália, que tiveram lugar este domingo, mereceu reacções de vários líderes políticos e o tom generalizado foi de preocupação relativamente à situação política naquela que é uma das maiores economias europeias.

Em visita aos EUA, e num encontro com emigrantes e luso-descendentes na Califórnia, Marcelo Rebelo de Sousa ainda esperava pelos resultados finais das eleições italianas quando falou aos jornalistas, considerando este escrutínio como “a eleição europeia mais importante nos próximos tempos”: “Os mercados financeiros são muito sensíveis a tudo o que significa imprevisibilidade ou soluções indefinidas.”

O Presidente da República destacou ainda que “a política é feita muito pelas lideranças, e as lideranças europeias dependem das lideranças nacionais”, sobretudo dos países com mais peso económico, como França, Alemanha e Itália.

“Depois são esses líderes que se encontram, e o Conselho Europeu tem vindo a ganhar importância. A Comissão é muito importante, mas o Conselho Europeu tem um peso decisivo no afinar das decisões entre Estados”, destacou Marcelo Rebelo de Sousa.

Ventura saúda “viragem à direita”

O Chega reagiu ainda no domingo ao triunfo da extrema-direita em Itália e transportou aquilo que apelidou de “ventos de mudança” para Portugal: “Estamos seguros de que estes ventos de mudança irão chegar a Portugal e que também os portugueses terão direito a virar a página e eleger quem seja capaz de defender os seus interesses”, salienta o partido de extrema-direita português, em comunicado.

De acordo com o entendimento do Chega, “os resultados obtidos por Giorgia Meloni e Matteo Salvini nas eleições italianas abrem caminho a uma verdadeira mudança de políticas em Itália e, ao mesmo tempo, a uma reconfiguração política da Europa”.

França atenta aos direitos humanos em Itália

A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, disse este domingo que o governo de Paris vai estar “atento” no que diz respeito aos direitos humanos e ao direito ao aborto em Itália, após a vitória da coligação liderada por Giorgia Meloni.

“É evidente que estaremos atentos, com a presidente da Comissão Europeia [Ursula von der Leyen], para que os direitos humanos, o respeito mútuo e, em particular, o respeito pelo direito ao aborto sejam respeitados por todos” em Itália, disse Borne, em declarações à cadeia de televisão BFMTV.

Acordo de coligação vence em Itália

Mais de 50 milhões de italianos foram, no domingo, chamados a votar nas eleições legislativas italianas em que, devido à pulverização partidária, nenhum partido deverá obter uma maioria suficiente para governar sozinho.

Partidos da direita e extrema-direita fizeram um acordo de coligação que poderá levar Giorgia Meloni ao poder e a tornar-se a primeira primeira-ministra de Itália.

De acordo com resultados parciais, esta coligação, que inclui os partidos Irmãos de Itália, liderado por Giorgia Meloni, a Liga, de Matteo Salvini, e Força Itália, de Silvio Berlusconi, obteve 43% dos votos nas legislativas.

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