COP26. Barack Obama elogia jovens, aponta dedo a Trump e lamenta falta de ambição da Rússia e da China

Num discurso de cerca de uma hora, à margem do evento, antigo Presidente dos Estados Unidos alertou que combate às alterações climáticas é uma maratona, e não uma corrida.



Barack Obama foi uma das várias figuras presentes esta segunda-feira na COP26, que decorre em Glasgow. Num discurso de cerca de uma hora à margem do evento, o antigo Presidente dos Estados Unidos deixou um aviso: “Preparem-se para uma maratona, não para uma corrida, porque resolver um problema tão grande, tão complexo e tão importante nunca aconteceu de uma só vez.”

Salientando que a COP26 ouviu “boas e más notícias”, o antigo chefe de Estado norte-americano reconheceu que ainda não se está “nem de longe” onde era necessário. “Apesar do progresso que Paris representou, a maioria dos países não conseguiram cumprir os planos de acção que estabeleceram há seis anos. E as consequências de não se mexerem de forma suficientemente rápida estão a tornar-se mais aparentes”, lamentou.

Apontou o dedo ao seu sucessor, Donald Trump, que levou à saída dos EUA do Acordo de Paris, e criticou a falta de ambição e ausência da cimeira da Rússia e da China. “Os seus planos nacionais até agora reflectem o que parece ser uma perigosa falta de urgência, uma vontade de manter a situação actual por parte desses governos, e isso é uma pena”, afirmou.

Os elogios ficaram reservados aos jovens que se esforçam para colocar pressão nos líderes mundiais. Vincou, contudo, que “não será suficiente mobilizar simplesmente os convertidos”, lembrando que existem trabalhadores e comunidades que “ainda dependem do carvão para a electricidade e o emprego”. “Para construir as coligações de base alargada necessárias para uma acção arrojada, temos de persuadir as pessoas que não concordam connosco ou são indiferentes ao assunto”, explicou, apelando aos jovens para que continuem a canalizar a raiva e frustração.

A COP26 recebe até sexta-feira decisores políticos e milhares de especialistas e activistas para uma revisão dos contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030. Aumentar o financiamento para ajudar os países afectados a enfrentarem a crise é também um dos objectivos.

Há seis anos, no Acordo de Paris, foi estabelecida como meta a limitação do aumento da temperatura média global do planeta entre 1,5 e 2 graus Celsius. Contudo, apesar dos compromissos assumidos, a ONU estima que, a manter-se o actual ritmo de emissões, as temperaturas serão superiores em 2,7 ºC no final do século.

Ler mais