Cazaquistão: Presidente dá ordem para “disparar a matar” contra manifestantes

País está desde domingo envolto em tumultos, após manifestações de protesto contra o aumento dos preços do gás liquefeito. Dezenas de pessoas já morreram.



O Presidente do Cazaquistão autorizou o uso de força letal sem aviso prévio contra manifestantes, após vários dias de tumultos que resultaram já em dezenas de mortos.

“Dei ordem aos órgãos da polícia e ao exército para dispararem a matar sem aviso prévio” disse esta sexta-feira, num discurso televisivo, Kassym-Jomart Tokayev, que descreve os manifestantes que têm vindo a tomar as ruas desde o dia 2, inicialmente devido ao aumento do preço do gás liquefeito, como terroristas.

“Os terroristas continuam a danificar bens e a usar armas contra os cidadãos”, prosseguiu, considerando “absurdos” os apelos, especialmente do estrangeiro, para negociar com os manifestantes.

“Que tipo de negociações se pode ter com os criminosos, com os assassinos? Temos estado a lidar com bandidos armados e treinados (...) Eles têm de ser destruídos e isso será feito em breve”, disse.

Tokayev acusou “os meios de comunicação social livres e algumas pessoas no estrangeiro” de estarem a “desempenhar o papel de instigadores” desta crise.

“A operação antiterrorista continua, os militantes não depuseram as suas armas. Aqueles que não se renderem serão eliminados”, assegurou.

O Cazaquistão está desde domingo envolto em tumultos, após manifestações de protesto contra o aumento dos preços do gás liquefeito, um dos combustíveis mais utilizados nos transportes do país.

Esta sexta-feira, o Ministério do Interior avançou que as forças cazaques mataram 26 pessoas na operação “antiterrorista” que estão a realizar, principalmente na cidade de Almaty.

Segundo o ministério, mais de 3 mil “criminosos” foram detidos e 18 pessoas “armadas” foram feridas.

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