Bolsonaro: “Chance de golpe de Estado no Brasil é zero”

Presidente do Brasil está prestes a completar mil dias de Governo e a sua popularidade tem vindo a baixar. Numa entrevista à revista Veja, assegura que a possibilidade de organizar um golpe de Estado é nula.



Há quase mil dias no Governo, o Presidente do Brasil não está em bons lençóis: as sondagens mais recentes revelam que a popularidade de Jair Bolsonaro está a descer e que se as eleições presidenciais, marcadas para Outubro de 2022, fossem agora, o ex-Presidente Lula da Silva venceria na primeira volta. Numa entrevista à revista Veja, divulgada esta sexta-feira, Bolsonaro assegura que a possibilidade de organizar um golpe de Estado é nula.

“Daqui para lá, a chance de um golpe é zero. De lá para cá, a gente vê que sempre existe essa possibilidade”, afirmou Jair Bolsonaro quando questionado sobre se suas acções, incluindo a convocação de protestos em seu apoio em 7 de Setembro, e algumas declarações polémicas, seriam uma preparação para um golpe de Estado.

Confrontado sobre quem seria o “lado de lá”, o governante brasileiro disse serem os membros da oposição.

“Existem 100 pedidos de impeachment [destituição] dentro do Congresso. Não tem golpe sem vice e sem povo. O vice é que renegocia a divisão dos ministérios. E o povo que dá a tranquilidade para o político voltar. Agora, eu te pergunto: qual é a acusação contra mim? O que eu deixei, em que eu me omiti? O que eu deixei de fazer? Então, não tem cabimento uma questão dessas”, afirmou.

“Quando você passa a ter o povo do teu lado, como eu tenho, bota por terra essa possibilidade. A não ser que tenha algo de concreto, pegou uma conta minha na Suíça, aí é diferente. Não tenho nada. Desligo o aquecimento da piscina, não uso cartão corporativo, não pedi aposentadoria na Câmara [dos Deputados], não dou motivo. Estamos há dois anos e meio sem um caso de corrupção”, acrescentou.

Crítico das urnas electrónicas usadas desde 1996 no Brasil, cuja confiança colocou em causa por diversas vezes nos últimos meses, Bolsonaro declarou: “vai ter eleição”. “Não vou melar, fique tranquilo, vai ter eleição”, disse.

Relativamente à gestão da pandemia, Jair Bolsonaro garantiu não ter errado em nada, defendendo medicamentos sem eficácia contra a covid-19. “Continuo defendendo a cloroquina. Eu mesmo tomei quando fui infectado e fiquei bom. A hidroxicloroquina nunca matou ninguém”, ressalvou.

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