Voos directos para sair da Rússia esgotam após anúncio de Putin

“Como sair da Rússia” foi a frase mais pesquisada do Google na noite de terça-feira. Todos os voos restantes exigem escalas dentro do próprio país.



Após o discurso de Putin em que o líder anunciou uma “mobilização parcial” da população para a guerra com a Ucrânia esgotaram-se todos os voos directos para fora da Rússia. A convocatória é obrigatória e quem a receber fica impedido de sair do seu local de residência “sem autorização da polícia militar”.

Minutos bastaram para que desaparecessem todos os voos directos de 21 de Setembro para lugares como Istambul e Erevan, os principais destinos dos russos desde que os céus europeus foram fechados. As alternativas estão sobrecarregadas pela procura. “Por volta do meio-dia, horário de Moscovo, os bilhetes directos para Tashkent, Baku, Bishkek e Astana desapareceram”, confirmou o jornal Neska.

Todas as opções restantes exigem uma escala dentro do próprio país. A par dos ingressos, “como sair da Rússia” foi a frase mais pesquisada do Google na noite de terça-feira.

Perante o anúncio, o movimento liberal Vesna incentivou a criação de protestos em todo país. Também Alexei Navalny, principal opositor político de Putin, apelou às populações a que saiam à rua para manifestarem o seu descontentamento. Ambos apoiam qualquer forma de protesto, incluindo pegar fogo a escritórios de alistamento militar.

O recrutamento diz respeito àqueles com maior experiência militar, mas o decreto não especifica quem fica isento de ir lutar. Vários advogados de direitos humanos, segundo o jornal espanhol El Mundo, apontam que o documento deixa margem de manobra para mobilizar ainda mais tropas além do que foi declarado publicamente, dando a entender que o Governo terá mão livre sobre o assunto, consoante o progresso da guerra.

Navalny, que se encontra preso, diz não compreender a mobilização civil quando “o exército tem um milhão de pessoas; a Guarda Nacional, 350 mil pessoas; o Ministério do Interior tem entre um milhão e meio e 2 milhões... e há tanta gente no Serviço Penitenciário Federal”.

Num discurso pré-gravado, emitido pela televisão estatal, Vladimir Putin utilizou, pela primeira vez, o termo “guerra” para descrever o conflito iniciado com a Ucrânia e que já leva mais de meio ano. A reserva militar do país conta com cerca de 300 mil russos. Todos estão sujeitos a ser convocados para aquela que, seis meses depois, deixou oficialmente de ser uma “operação militar especial”.

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