Sérgio Figueiredo: o consultor que se tornou o homem mais bem pago no Ministério das Finanças



Mais do que a contratação de uma figura de destaque da comunicação social portuguesa, mais do que as acusações de trocas de favores feitas pela oposição, na medida em que convidou Fernando Medina para comentador quando era director de Informação da TVI, o que saltou à vista ao ser revelada a contratação de Sérgio Figueiredo para consultor do Ministério das Finanças foi o “salário de ministro”, esclarecendo-se mais tarde que a sua retribuição supera a remuneração bruta do titular da pasta.

Feitas as contas, o “contrato de prestação de serviços de consultoria estratégica especializada ao Ministério das Finanças, no âmbito da definição, implementação e acompanhamento de políticas públicas e medidas a implementar, e da avaliação e monitorização de políticas implementadas” permite que o antigo jornalista vá receber 139.990 euros (acrescidos de IVA) nas 24 prestações mensais previstas no período de dois anos em que terá uma missão sucintamente descrita como a “preparação de estudos e propostas, nomeadamente a auscultação dos stakeholders relevantes na economia portuguesa”. Isto significa que Figueiredo irá auferir 5.832 euros por mês, enquanto a remuneração base ilíquida do ministro fica por 4.767 euros.

Sem se manifestar sobre a polémica contratação que muitos consideraram redundante e a que outros tantos lançaram a acusação de ser uma contrapartida do ex-presidente da Câmara de Lisboa, Sérgio Figueredo prepara-se para colaborar com um governo do qual é tido como próximo.

Para o antigo director do “Diário Económico” e do “Jornal de Negócios”, que antes de assumir a direcção de Informação da TVI foi administrador da Fundação EDP durante sete anos, a proximidade a figuras do PS ficou patente em artigos de opinião como “Gosto de José Sócrates” que publicou no Diário de Notícias após o ex-primeiro-ministro ser detido, admitindo uma relação de amizade com raízes menos profundas do que aquela que mantém com Mário Centeno, colega de curso no Instituto Superior de Economia e Gestão. No entanto, nem todos os socialistas estariam decerto dispostos a tê-lo como consultor, a começar pela segunda figura do Estado. O actual presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, alcunhou-o de “ayatollah de Barcarena” quando se viu afastado do rol de comentadores da TVI.

Em entrevista ao Observador, realizada em 2017, admitiu que foi pressionado por todos os primeiros-ministros à excepção de Pedro Santana Lopes. E sem esquecer o próprio António Costa. “Já se chateou comigo em público, sim. Mas não vou mostrar mensagens de SMS que ele me manda.”, disse na altura o agora consultor do governo.

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