Pedro Passos Coelho: convidado de honra da Festa do Pontal garante que continua “retirado”

É muito possível que o centro-direita o veja como o homem providencial para manter a tradição de ter em Belém aquilo que não tem conseguido em São Bento.



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O segredo estava bem guardado, o que só serviu para potenciar o efeito da chegada de Pedro Passos Coelho à Festa do Pontal, sinal da expectável reaproximação ao antigo primeiro-ministro do partido que presidiu antes do longo ciclo de liderança de Rui Rio. A recebê-lo tinha um esteio do que foi a sua bancada parlamentar quando governava sob o signo da austeridade da troika, que ainda hoje lhe é associada, com Hugo Soares, agora secretário-geral do PSD, a conduzir o convidado de honra, que mais tarde receberia um mediático abraço do actual líder social-democrata, Luís Montenegro.

Para quem primou quase sempre pelo silêncio e pela reclusão ao longo dos últimos anos, a deslocação a um evento com a relevância da rentrée social-democrata não poderia deixar de animar os militantes e aguçar a curiosidade dos jornalistas. E se, aos primeiros, o homem nascido há 58 anos não poupou sorrisos, aos segundos sentiu necessidade de referir que não vinha “para fazer grandes declarações” na “festa muito especial” que teve lugar em Quarteira. Até porque garantiu manter-se “retirado da acção política”.

Para quem foi presidente do PSD entre 2010 e 2018, ficando só atrás de Cavaco Silva no que toca a longevidade nesse cargo, e também o último primeiro-ministro antes de o PS de António Costa retomar a governação perdida com a derrota de José Sócrates, sendo visto como uma espécie de D. Sebastião - mesmo no sentido de ser idolatrado por uns e culpado de todos os males do país e do mundo por outros -, voltar a um lugar onde não foi particularmente feliz não será uma opção no horizonte. Sobretudo a partir do momento em que os militantes sociais-democratas escolheram para líder “uma pessoa bem preparada e competente, que tenho confiança que será o próximo primeiro-ministro”, segundo o próprio Passos Coelho.

E se estiver em causa a Presidência da República? Nesse caso existe a particularidade de a questão não se colocar no curto prazo, pois a escolha do sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa está marcada para o ainda distante 2026. Com responsabilidades familiares decorrentes da morte da sua mulher, Laura Ferreira, em 2020, após uma prolongada luta contra o cancro que coincidiu com parte do seu mandato enquanto primeiro-ministro, é muito possível que o centro-direita - e o PSD em particular - o veja como o homem providencial para manter a tradição de ter em Belém aquilo que não tem conseguido em São Bento.

Para já, Pedro Manuel Mamede Passos Coelho dá aulas no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa e na Universidade Lusíada. Mas é sabido que os eleitores gostam de professores.

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