Nuno Ribeiro da Silva: como se fosse um elefante em loja de equipamentos eléctricos de porcelana

Nuno Ribeiro da Silva anteviu que “a partir do final de Agosto, mas já nas facturas eléctricas de Julho, as pessoas vão ter uma desagradável surpresa”, calculando que algumas veriam um aumento de 40%.



Se o bater de asas de uma borboleta é capaz de provocar um tufão do outro lado do mundo, o que dizer quando um dos principais players do sector da energia em Portugal antevê aumentos de 40% na conta da luz? A entrevista do presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, à Antena 1 e ao Jornal de Negócios teve tanto impacto que logo na segunda-feira foi elaborado um despacho do primeiro-ministro a estipular que nenhum serviço da administração pública pagará facturas da empresa sem serem previamente validadas pelo secretário de Estado do Ambiente e da Energia, João Galamba.

Logo que foi conhecido o despacho, justificado por António Costa com “as ameaças de práticas especulativas nos preços a praticar pela Endesa e o dever de o Estado proteger o interesse dos contribuintes na gestão dos dinheiros públicos”, o tema passou para o topo da actualidade, com a oposição de direita a criticar o Governo por mais um ataque a empresas privadas. Algo que o vice-presidente do PSD, Miguel Pinto Luz, considerou ser uma “postura inaceitável, com laivos persecutórios e intromissão nas regras do mercado”, enquanto o líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, protestou contra a “prepotência e propaganda socialista”, e André Ventura, presidente do Chega, apontou o dedo à “atitude venezuelana de António Costa e do governo socialista”.

Na entrevista que serviu de rastilho à polémica, Nuno Ribeiro da Silva previu que “a partir do final de Agosto, mas já nas facturas eléctricas de Julho, as pessoas vão ter uma desagradável surpresa”, calculando que alguns consumidores veriam um aumento na ordem dos 40% para começar a compensar o aumento exponencial no custo do gás natural utilizado para produzir electricidade, por enquanto mitigado pelo mecanismo de compensação.

Certo é que o responsável da Endesa Portugal, que já foi deputado do PSD e secretário de Estado da Energia, da Juventude e da Presidência do Conselho de Ministros durante os governos de Cavaco Silva, acabou por contribuir para que os problemas no Serviço Nacional de Saúde perdessem espaço nos alinhamentos dos telejornais.

E apesar de ter sido noticiado que João Galamba sabia que Ribeiro da Silva iria mencionar a necessidade de começar a reflectir o aumento de custos nos consumidores de electricidade, o certo é que a Endesa Portugal acabou por recuar. Na quarta-feira foi enviada uma carta aos clientes residenciais da empresa em Portugal a garantir que os preços da electricidade não iriam aumentar durante o ano de 2022. “As condições do seu contrato irão manter-se, tal como indicámos no momento da sua contratação”, leu-se na comunicação da Endesa.

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