Manuel Pizarro: fazer prova de vida entre o colega das Finanças

Resta saber como Pizarro coabitará com Fernando Araújo, que será o CEO do SNS. Há que apurar os poderes de um e de outro e se não haverá sobreposição de competências.



Durou apenas quatro minutos, faz hoje uma semana, a cerimónia que empossou o médico Manuel Pizarro como ministro da Saúde, na presença da sua antecessora Marta Temido.

O antigo secretário de Estado, em dois governos liderados por José Sócrates, deixou o Parlamento Europeu e regressou a Portugal “cheio de vontade de trabalhar”. E terá decerto de batalhar muito nas reuniões do Conselho de Ministros com o colega das Finanças para dotar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) de mais meios. Há algo que o une a Fernando Medina: ambos perderam as eleições para as duas mais destacadas autarquias do país e, agora, estão os dois no governo liderado por António Costa, em pastas fundamentais.

O perfil político, associado ao profundo conhecimento do sector, confere a Manuel Pizarro a confiança dos seus pares, como, por exemplo, a Ordem dos Médicos e o Sindicato Independente dos Médicos.

Se Fernando Medina será um dos seus interlocutores, resta saber como Pizarro coabitará com Fernando Araújo, que será o CEO do SNS. Mais do que coabitar, há que apurar os poderes de um e de outro e se não haverá sobreposição de competências, pois ainda ninguém explicou muito bem quais serão as funções do titular do novo cargo. Sabe-se que Manuel Pizarro e Fernando Araújo têm uma relação próxima, sendo ambos do Porto, apesar de o ministro ter nascido em Coimbra.

Admite-se que de Manuel Pizarro se espere que defina as políticas de saúde, e de Fernando Araújo que as execute. São estes “pormaiores” que podem ajudar ou emperrar uma relação que definirá o futuro da saúde em Portugal, nomeadamente do SNS. Fernando Araújo, diga-se, foi um nome falado para suceder a Marta Temido, a quem criticava frequentemente na sua crónica semanal no Jornal de Notícias.

A ideia de António Costa é muito óbvia: quer a dupla a funcionar em conjunto e espera que possam assim trabalhar, utilizando o conhecimento que têm da realidade do sector em Portugal.

Curiosamente, o primeiro-ministro, na entrevista concedida à TVI e à CNN Portugal nesta segunda-feira, deu uma pista quando ainda ninguém falava em Fernando Araújo. “Lisboa tem muitíssimo a aprender com o Porto em muitas coisas em matéria de saúde”, disse António Costa, numa referência ao até agora presidente do conselho de administração do Hospital de São João, que tão boa resposta deu durante a pandemia.

Manuel Pizarro, cuja proximidade a António Costa é sobejamente conhecida, terá a tarefa de tutelar uma pasta complexa e na qual terá de negociar com Fernando Medina e gerir sensibilidades com Fernando Araújo.

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