João Lourenço: vai-se a total hegemonia em Angola, fica a maioria absoluta do MPLA

Os próximos cinco anos devem ficar marcados pela manutenção de reformas centradas na luta contra a corrupção, que lhe valeram inimigos e que muitos vêem como insuficientes para alterar o rumo de Angola.



Os vencidos não ficaram mesmo nada convencidos, e na contagem oficial até registaram avanços significativos em todo o país, mas João Lourenço foi reeleito Presidente de Angola, adiando o momento em que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) cederá o poder que detém desde a independência.

Pressionado pela popularidade do candidato presidencial da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto Costa Júnior, que obteve apoios inesperados, incluindo Tchizé dos Santos, filha do falecido Presidente José Eduardo dos Santos, líder histórico do MPLA, o general reformado, de 68 anos, que foi eleito chefe de Estado em 2017 inicia o segundo mandato sem a hegemonia do passado. No entanto, mantém o mais importante: com 51,07% dos votos, quando foram apuradas mais de 97% das mesas de voto, é certo que o MPLA manterá a maioria absoluta na Assembleia Nacional de Angola, com 124 dos 220 deputados, cabendo 90 à UNITA e seis a outros partidos.

Algures entre o alívio da manutenção do poder e a apreensão pela subida do maior partido da oposição, que foi o mais votado na província de Luanda, João Lourenço recorreu às redes sociais do MPLA para se dirigir ao eleitorado. “Obrigado é uma palavra fundamental para todos os angolanos”, disse no início de um vídeo, co-protagonizado por compatriotas de várias idades, supostamente representantivos do país inteiro. “Obrigado a todos os angolanos por estarem a construir este país”, remata quem se lança para cinco anos que devem ficar marcados pela manutenção de reformas centradas na luta contra a corrupção, que lhe valeram alguns inimigos e que muitos vêem como insuficientes para alterar o rumo de Angola.

Entre a “contagem paralela” da UNITA e a certeza de que perdeu a maioria de dois terços, o grande desafio de João Lourenço será manter a paz num país onde os mais velhos ainda se lembram do que aconteceu no acto eleitoral de 1992, marcado por massacres em Luanda e uma segunda volta entre José Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi que nunca chegou a ter lugar.

Muito diferente é o cenário em 2022, graças à evolução do regime (e da oposição), e para isso contribuiu o sucessor de José Eduardo dos Santos na presidência de Angola e do MPLA. Nascido em 1954, no Lobito, filho de um enfermeiro que foi preso por actividade política anticolonial, João Lourenço envolveu-se na luta de libertação após a queda do Estado Novo, combateu movimentos rivais angolanos, estudou na União Soviética e enveredou pela política, sendo deputado e ministro. Noutro sinal de mudança, apresentou como sua vice-presidente Esperança da Costa.

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