Fernando Medina: o ministro que promete contas certas e nunca consegue sair da agenda

Novo caso surgiu, mas já na esfera do Ministério das Finanças. O governante nomeou a sua antiga chefe de gabinete, Fátima Madureira, para a vice-presidência da Estamo, imobiliária do Estado.



Fernando Medina deve ter saudades da Câmara de Lisboa, onde passava despercebido e apenas se mostrava semanalmente na TVI - um convite aceite e que, possivelmente, hoje teria pensado duas vezes antes de dizer sim - para debitar opinião e marcar pontos como putativo candidato a sucessor de António Costa no PS quando o primeiro-ministro decidir ir para a Europa, ou simplesmente der por terminado o percurso como governante.

O agora ministro das Finanças não consegue sair da agenda noticiosa, sejam quais forem as razões. Nesta semana que hoje termina, Medina foi o rosto do pacote de ajuda do Governo às famílias para enfrentar a subida de preços. Durante a explicação das oito medidas, falou em contas certas, garantiu que vai assegurar os objectivos do défice orçamental e a redução “muito importante” da dívida pública. E sentenciou: “As contas certas servem para servir o país.”

Curiosamente, durante a conferência de imprensa, teve a seu lado um dos possíveis rivais no elevador socialista, Pedro Nuno Santos. Uma ironia do destino.

Por explicar, de forma substantiva, está ainda a nomeação de Sérgio Figueiredo, o director da TVI que o convidou para opinar no canal de Queluz de Baixo, para o cargo de consultor do Ministério das Finanças para a avaliação de políticas públicas. O assunto ficou fechado depois da renúncia do antigo jornalista e Medina agora parece que não está à procura de um substituto, apesar de ter considerado na altura que era uma “necessidade específica” do ministério que lidera. Espera, como disse à RTP, por uma pessoa com o “currículo adequado”. E ainda no contexto deste tema, o PS, com a ajuda (estéril) do PCP, chumbou a audição requerida pelo Chega, e sufragada por PSD e Iniciativa Liberal, para ouvir as explicações de Medina sobre a contratação de Sérgio Figueiredo. O PS, agora sem o apoio do PCP - partido que fez o requerimento - voltou a chumbar a audição de Medina na Casa da Democracia, agora a propósito do encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos.

Depois de o NOVO ter noticiado em primeira mão o apoio de 350 mil euros da Câmara de Lisboa, durante o consulado Medina, à empresa do filho de Sérgio Figueiredo, novo caso surgiu, mas já na esfera do Ministério das Finanças. O governante nomeou a sua antiga chefe de gabinete, Fátima Madureira, para a vice-presidência da Estamo, imobiliária do Estado, após a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (Cresap) não a ter contemplado na shortlist para a presidência da Agência para a Modernização Administrativa. Demasiados episódios para um homem que também vive 24 horas por dia.

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