Elvira Fortunato: excepção à lei do mais do mesmo não quererá ter um nanoministério



Entre um elenco que juntou todos os possíveis e imagináveis candidatos à sucessão de António Costa, incluindo ministros rotinados, antigos secretários de Estado em rota ascendente, eminências da bancada parlamentar e o ex-presidente da Câmara de Lisboa, a principal novidade do XXIII Governo Constitucional foi Elvira Fortunato, a nova ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Até por se tratar de uma independente com provas dadas, e com distinção, em qualquer uma das áreas que irá tutelar.

A actual vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa é uma das mais destacadas cientistas nacionais, tendo recebido, entre outras distinções, o Prémio Pessoa pelas suas invenções no ramo da nanotecnologia. Conhecida por “mãe do transístor de papel”, Elvira Fortunato apostou na utilização de papel enquanto material electrónico, permitindo a sua aplicação em embalagens inteligentes, microchips recicláveis ou páginas de jornais e de revistas com imagens em movimento.

Nascida em Almada, licenciou-se em Engenharia dos Materiais na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, na qual viria a ser professora catedrática. Após o doutoramento nas áreas de Microelectrónica e Optoelectrónica, em 1995, iniciou um percurso que culminou no Centro de Investigação de Materiais (Cenimat), onde trabalha em conjunto com o marido, o também cientista Rodrigo Martins.

Em Dezembro de 2021, no Fórum Nacional do PS que teve lugar na Alfândega do Porto, foi uma das oradoras no painel “Como Acelerar o Crescimento Económico e Melhorar o Rendimento dos Portugueses?”, lamentado os “atrasos muito grandes” impostos pelo Ministério das Finanças às transferências para o sector da ciência, E disse que nos financiamentos plurianuais teria de existir uma política de maior confiança, “independentemente de quem venha a seguir”. Sem abdicar de ser crítica por estar num evento do PS, a agora ministra assinalou que se “devia valorizar as carreiras altamente qualificadas”, denunciando que os funcionários públicos com doutoramento não estavam a sê-lo de forma suficiente.

Cabe-lhe agora esse desafio, bem como o de aumentar o peso da ciência, tecnologia e ensino superior, que na proposta chumbada de Orçamento do Estado para 2022 tinha, ainda com o ministro Manuel Heitor, uma dotação total de 3124,9 milhões de euros. Mais 21,2% do que o Estado previa gastar até ao final desse ano mas, ainda assim, a verba de um nanoministério, apesar de existir a meta de em 2030 dedicar 3% do PIB no investimento em investigação e desenvolvimento, o que é o dobro da percentagem em 2020.

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