Elon Musk: entrou no Twitter com uma pia na mão e deixou a antiga gerência sem pio

Musk garantiu que nenhuma conta será retomada ou qualquer alteração de fundo ocorrerá antes da primeira reunião do novo conselho de moderação de conteúdos.



Nem todos os magnatas dispostos a pagar 44 mil milhões de dólares por uma empresa, culminando um longo processo de avanços e recuos, acusações e litigâncias, se lembrariam de protagonizar um sketch humorístico para partilhar nas redes sociais - e não necessariamente só naquela que acabaram de comprar. Mas nem todos os magnatas são como Elon Musk - talvez nenhum o seja desde Howard Hughes, cuja excentricidade era marcadamente patológica -, o homem de 51 anos que se fez gravar enquanto carregava nos braços uma pia no momento em que entrou na sede do Twitter, em São Francisco.

“Entering Twitter HQ - let that sink in!”, escreveu Elon Musk na conta de Twitter no final da tarde de quarta-feira, quando era madrugada do dia seguinte em Portugal. A mensagem, traduzível por “a entrar no quartel-general do Twitter - habituem-se à ideia!”, continha o trocadilho da palavra “sink” significar pia, mas houve quem não tivesse motivos para sorrir ao ver o empreendedor que detém três nacionalidades (sul-africana, norte-americana e canadiana), associado a viaturas eléctricas e foguetões espaciais, entrou no edifício a carregar louça sanitária branca que contrastava com os seus jeans e t-shirt de cor preta. Até porque uma das primeiras medidas foi afastar os anteriores principais responsáveis pela rede social.

Entre as vítimas de Musk destacaram-se o CEO Parag Agrawal, o CFO Ned Segal e a responsável pelos assuntos jurídicos e políticas públicas Vijaya Gadde, vilipendiada pelos conservadores enquanto maior responsável por o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter sido expulso do Twitter na sequência dos acontecimentos que culminaram no ataque dos seus apoiantes ao Capitólio, a 6 de Janeiro de 2021, tentando impedir a confirmação da vitória de Joe Biden no colégio eleitoral. Sendo certo que o novo dono da rede social chegou a prometer o regresso do favorito dos republicanos para as presidenciais de 2024, ainda não está garantido que o mundo voltará a ler tweets de outro magnata excêntrico e gerador de tráfego, ainda empenhado na atribulada afirmação da sua Truth Social,

Para já, enquanto os mais de sete mil trabalhadores do Twitter tremem com indícios de despedimentos em série, e muitos observadores temem que a desinformação e discurso de ódio passem a ser o mainstream do Twitter, Elon Musk vai tentando sossegar anunciantes e utilizadores. Nesta sexta-feira, sete horas após proclamar que o “pássaro foi libertado”, garantiu que nenhuma conta será retomada ou qualquer alteração de fundo ocorrerá antes da primeira reunião do novo conselho de moderação de conteúdos. Mas, neste caso, o mais prudente será esperar o inesperado.

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