Cristiano Ronaldo: desempregado recordista tenta conquistar o título que lhe falta no currículo

Ronaldo começou a semana como jogador do Manchester United. Terminou-a à procura de entidade patronal. Pelo meio, marcou ao Gana e bateu mais uns registos .



Cristiano Ronaldo teve uma semana cheia. Começou-a como futebolista do Manchester United, acabou-a como jogador desempregado, à procura de fazer um Mundial de excelência para cativar possíveis interessados à medida do seu palmarés.

Pelo meio... fez um golo na vitória de Portugal sobre o Gana, tornando-se o primeiro futebolista do sexo masculino a marcar em cinco mundiais (2006, 2010, 2014, 2018 e 2022). Além disso, com o penálti convertido diante da selecção africana, o madeirense é, agora, o segundo jogador mais velho da história dos mundiais a marcar. Ronaldo marcou ao Gana com 37 anos e 292 dias, e à sua frente tem o camaronês Roger Milla, que em 1994 fez um golo à Rússia com... 42 anos e 39 dias. Para bater este recorde, Ronaldo precisaria de esperar pelo Mundial de 2030.

Ronaldo fez o seu oitavo golo na fase de grupos de um Mundial, alcançando os alemães Gerd Müller e Jürgen Klinsmann, e o argentino Gabriel Batistuta. Falta-lhe superar o antigo jogador do FC Porto, o peruano Teófilo Cubillas (9), e o também germânico Miroslav Klose (11).

Cristiano Ronaldo pode estar no ocaso da carreira, pois a idade não perdoa a ninguém, mas hoje em dia é o desempregado mais recordista do planeta.

E nos próximos dias pode tentar juntar o título que lhe falta no palmarés: o Mundial de selecções.

Como capitão de Portugal, honra que tem desde 2008, Ronaldo sabe que já não é ele e mais dez. Fernando Santos fez questão de dar esse sinal a tudo e a todos quando o substituiu aos 88 minutos, dando ordem de entrada a Gonçalo Ramos - que, por não ter o estatuto de Ronaldo, não recusou a instrução.

Nos jogos de Portugal não pode preocupar-se só em bater recordes, mas também em mostrar que é um jogador de equipa que muitos clubes apreciariam ter nas fileiras. A prova de vida de Cristiano Ronaldo joga-se no Catar, à beira dos 38 anos, sob pena de não despertar o interesse de nenhum clube europeu de primeira linha. Muitas das suas atitudes serão escrutinadas à lupa. Antes, durante e depois do jogo.

Quando concedeu a entrevista a Piers Morgan, Ronaldo sabia que estava a entregar ao Manchester United a carta de rescisão. Quatro dias depois, o acordo foi alcançado, Ronaldo foi à sala de imprensa na véspera da oficialização do divórcio e a família Glazer aproveitou a embalagem para divulgar que se quer desfazer do clube inglês. Pareceu tudo demasiado estratégico, mas agora parece faltar a derradeira peça do puzzle e o fim para o qual Ronaldo fez da entrevista concedida o meio para deflagrar uma granada na véspera do início dos trabalhos da Selecção de Portugal.

Sem essa peça, parecerá tudo demasiado pífio...

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