Augusto Santos Silva: uma segunda figura do Estado que tende para a omnipresença

Não falta no PS quem pense que o professor universitário pode ser o antídoto para a permanência de figuras ligadas à direita no Palácio de Belém por mais de duas décadas consecutivas.



Acusado de “tiques autoritários” pelo Chega, cujo líder, André Ventura, irá queixar-se disso ao Presidente da República na audiência marcada para a tarde desta sexta-feira, Augusto Santos Silva parece apostado em destacar-se entre as segundas figuras do Estado que a democracia portuguesa conheceu nas últimas décadas.

Do alto da sua tribuna, o presidente da Assembleia da República, nascido no Porto há quase 66 anos, pois celebra aniversário a 20 de Agosto, deixou claro desde o início da legislatura que não tinha em mente um registo apenas cerimonial. Após a posse dos deputados, concretizando-se a passagem do Chega a terceira força parlamentar, não perdeu tempo a deixar avisos à navegação contra o “discurso de ódio”, que avisou ser a sua linha vermelha.

A referência tinha destinatário, ainda que não identificado, como se tem verificado nos trabalhos parlamentares. A progressiva e recíproca animosidade com André Ventura tem sido uma constante. E o conflito vai em crescendo, ao ponto de o Chega ter em andamento um projecto de resolução para censurar a actuação de Santos Silva, o que este condicionou, sujeitando a iniciativa do partido a análise prévia da Comissão de Assuntos Constitucionais. “Parece que os tiques ditatoriais do presidente da Assembleia da República se estendem além da condução dos trabalhos plenários e se alargam à admissão de iniciativas legislativas ou políticas dos grupos parlamentares”, fez saber o Chega, para quem o socialista se tornou “recorrente no uso do veto, da censura e da parcialidade política contra a oposição”.

Dos outros cinco presidentes da Assembleia da República deste século, nem o antecessor imediato, Eduardo Ferro Rodrigues, se compara no protagonismo e conflitualidade com certas bancadas. Ainda menos os também socialistas Almeida Santos (já falecido) e Jaime Gama e os sociais-democratas Mota Amaral e Assunção Esteves.

Mas se o Chega defende que Augusto Santos Silva “não tem condições de continuar como segunda figura do Estado português”, não falta no PS quem pense que o professor universitário, vindo da extrema-esquerda dos Comités de Acção Liceal da União Operária Revolucionária, pode ser o antídoto para a permanência de figuras ligadas à direita no Palácio de Belém por mais do que duas décadas consecutivas.

Na sexta-feira passada, numa entrevista à RTP2, o antigo ministro da Educação e da Cultura de António Guterres, dos Assuntos Parlamentares e da Defesa de José Sócrates e dos Negócios Estrangeiros de António Costa respondeu com “não rejeito nada em absoluto” à pergunta sobre uma candidatura presidencial em 2026. A ver vamos, portanto.

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