António Mendonça Mendes: o irmão mais novo que vai passar a olhar pelo primeiro-ministro

Enquanto líder da Federação de Setúbal do PS foi um dos artífices da maioria absoluta, pois os socialistas elegeram 10 dos 18 deputados em disputa.



Para retirar António Mendonça Mendes do Ministério das Finanças, onde foi secretário de Estado dos Assuntos Fiscais dos ministros Mário Centeno, João Leão e Fernando Medina, foi preciso acontecer uma emergência no Governo. Mais do que as circunstâncias da saída de Miguel Alves, de quem será o substituto enquanto secretário de Estado-adjunto do primeiro-ministro, a falta de coordenação política que acompanha o XXIII Governo Constitucional praticamente desde a tomada de posse é o desafio do socialista que vai olhar por António Costa.

Apesar da longevidade no Terreiro do Paço e de ter ficado associado à carga fiscal, da qual foi o principal executor, Mendonça Mendes, de 46 anos, está longe de ter um perfil técnico. Envolvido na política desde os tempos da Juventude Socialista, ao lado da irmã mais velha (actual ministra dos Assuntos Parlamentares) Ana Catarina Mendes, desde há muito que é, mais do que o “irmão mais novo”. mas uma figura destacada no PS.

Enquanto líder da Federação de Setúbal do PS foi um dos artífices da maioria absoluta conquistada nas legislativas de 30 de Janeiro, pois os socialistas elegeram 10 dos 18 deputados em disputa nesse círculo. Meses antes, nas autárquicas, mantiveram as presidências das câmaras municipais de Almada, Barreiro e Alcochete, conquistadas aos comunistas em 2017, juntando-lhes a da Moita. Para o próximo ciclo ficam objectivos tão importantes quanto Setúbal e Seixal.

Mas também nos meandros da governação Mendonça Mendes tem horizontes mais amplos do que o Ministério das Finanças. Empossado secretário de Estado dos Assuntos Fiscais em 2017, na sequência da demissão do entretanto falecido Rocha Andrade, devido à polémica das viagens de governantes aos jogos do Europeu de 2016 pagas pela Galp, estava longe de ser um novato em executivos socialistas. Do seu currículo constava ter sido chefe de gabinete de Ana Jorge quando esta foi ministra da Saúde de José Sócrates, tendo a mesma experiência junto de Ana Paula Vitorino, então secretária de Estado dos Transportes. E antes fora assessor de Diogo Lacerda Machado, secretário de Estado da Justiça numa altura em que António Costa era o titular da pasta e António Guterres o primeiro-ministro.

Pela sua capacidade de trabalho passa agora muito do que poderá ser a segunda vida de um executivo que enfrentou piores tormentas com maioria absoluta do que os anteriores, dependentes de outros partidos, sob o signo da geringonça ou então dos (des)entendimentos pontuais que culminaram no chumbo da proposta de Orçamento do Estado para 2022. Não é um risco que António Costa corra nesta legislatura, mas não faltarão trabalhos para o seu adjunto.

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