Abel Ferreira: da desconfiança inicial a melhor treinador da história do Palmeiras

Ganhou tudo o que havia para vencer no emblema paulista e agora é apontado como potencial seleccionador brasileiro. Seria o primeiro estrangeiro de sempre...



Quando foi apresentado como treinador do Palmeiras, a 4 de Novembro de 2020, o então quase desconhecido (para os brasileiros) Abel Ferreira avisou: “Não vim para ter férias, vim para ganhar.”

A desconfiança foi enorme, sobretudo por parte dos treinadores brasileiros, que não gostaram de ver um estrangeiro a ocupar um lugar apetecível num dos maiores clubes da América do Sul.

Abel não deixou os créditos por mãos alheias. Nos primeiros tempos, sempre que surgia um resultado menos bom, o afiar de facas era uma constante. Contudo, o tempo mostrou a valia do antigo defesa do Sporting e do SC Braga, cujo momento alto como atleta foi um golo - quase por engano - em Old Trafford quando vestia de leão ao peito na estreia internacional de Rui Patrício.

Os jogos foram-se sucedendo e Abel, sem ter metade do espaço mediático do compatriota Jorge Jesus, devolveu a glória internacional ao Palmeiras, com a conquista de duas Taças dos Libertadores - a maior competição de clubes da América do Sul. Mas não ficou por aí: inscreveu no palmarés uma Recopa Sul-Americana, um Paulistão, uma Taça do Brasil e o campeonato brasileiro, que arrisca completar sem qualquer derrota fora. Ou seja, venceu tudo o que podia vencer como treinador do Palmeiras.

Do jogador low-profile transformou-se num treinador enérgico na sala de imprensa e nas quatro linhas, não dando descanso a jornalistas e árbitros. E com isso foi cativando. Devagarinho, mas foi.

Hoje, a ideia que passa é que não só é o técnico com mais estatuto no Brasil como também o melhor da história do Palmeiras, relegando para segundo plano dois nomes míticos; Luiz Felipe Scolari, vencedor da primeira Libertadores, e Vanderlei Luxemburgo, que em 1993 colocou um ponto final num jejum de duas décadas sem títulos, mas sem alcançar a glória internacional.

Abel aliou as duas coisas. Venceu a nível nacional e internacional e hoje é visto como um dos candidatos a suceder a Tite na selecção do Brasil após o Mundial do Catar. “Seria uma honra libertar Abel para a selecção brasileira”, disse a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, deixando no ar a possibilidade de o treinador português poder dividir-se entre o (eventual) novo cargo e o Palmeiras. Principal problema: a selecção do Brasil nunca teve um treinador estrangeiro e os técnicos brasileiros mais antigos nem querem ponderar essa possibilidade.

Com contrato até Dezembro de 2024, cabe agora a Abel Ferreira fazer o mais difícil: dar continuidade aos títulos que tem conquistado. Para já é, indubitavelmente, considerado o melhor treinador do campeonato brasileiro e tem um plantel e uma massa adepta de 12 milhões na palma da mão...

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