Imobiliário: uma crise anunciada que acabou por não o ser

Os especialistas falharam as previsões e o mercado nacional mostrou, com a pandemia, que é capaz de aguentar crises se estiver apoiado em bases estáveis: capital próprio e forte procura.



Ao contrário de 2008, em que “estavam no lugar errado, à hora errada”, estes investimentos podem ser o próximo refúgio para os que não querem perder dinheiro em situações de risco.

Quando começaram a sair os primeiros números relativos às vendas de imóveis após o estalar da pandemia de covid-19, Ricardo Guimarães, director da Confidencial Imobiliário, ficou surpreso e foi até validar os resultados junto das imobiliárias. Ao contrário do que esperava, os preços não estavam a reflectir a contracção económica causada pela paragem da actividade, comparando, por exemplo, com aquilo que tinha acontecido em 2008. “Logo no início, também erradamente, tive a percepção de que os preços iriam sofrer uma queda, mas provisória, porque a pandemia seria algo temporário. De facto, não se cumpriu a expectativa global de uma crise no valor das casas”, aponta o director desta base de dados do mercado imobiliário.

O que se verificou foi um abrandamento na valorização do preço médio do metro quadrado, ou seja, as casas continuaram a ficar mais caras, mas não tão depressa como estava a acontecer até então. É exactamente isso que mostram os dados do índice de preços residenciais da Confidencial Imobiliário: se de Setembro de 2019 a Fevereiro de 2020 os preços avançaram sempre acima de 1% face ao mês anterior, em Março de 2020 os preços das casas subiram 0,4% face ao mês anterior. Houve, ainda assim, um recuo de 2,1% em Setembro, mas que, desde então, foi neutralizado. Aliás, no passado mês de Junho a variação dos preços das casas foi de 1,1%, com o índice a atingir máximos históricos.

Nesta edição do NOVO, já nas bancas, vários especialistas do sector explicam as tendências e analisam à lupa os fantasmas das moratórias e da sobrevalorização.

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