Twitter forçado a correr atrás do “noivo em fuga”

Elon Musk retirou a oferta de aquisição, avaliada em 44 mil milhões de dólares, mas foi processado pela administração da empresa. Negócio do ano ameaça tornar-se um imbróglio.



Conhecida por servir de recorrente campo de batalha para as mais acesas quezílias ideológicas, clubísticas ou meramente aleatórias, a rede social Twitter prepara-se para ficar também conotada com um intrincado imbróglio jurídico entre a sua administração e o multimilionário excêntrico que há meses agitou o mundo dos negócios com uma oferta pública no valor de 44 mil milhões de dólares para assumir o controlo da empresa.

Tudo isto porque Elon Musk anunciou na sexta-feira passada que retirava a oferta, alegando sobretudo que os responsáveis pela rede social nunca esclareceram devidamente qual é a quantidade de utilizadores do Twitter que não passam de bots. A reacção do conselho de administração, presidido por Bret Taylor, não se fez esperar e, na segunda-feira, foi interposta uma acção judicial que acusa o dono da Tesla e da SpaceX de recorrer a pretextos completamente desprovidos de mérito para recuar no que prometia ser um dos grandes negócios de 2022.

Através do processo, que está em curso num tribunal do Delaware, estado que concentra sedes de grande parte do mundo corporativo norte-americano, a administração da rede social pretende obrigar o multimilionário a prosseguir com a compra, apesar de estar prevista uma indemnização de mil milhões de dólares se qualquer uma das partes impossibilitar a prossecução do negócio sem razão válida para tal.

Na argumentação de Musk, além da questão do número de contas falsas entre os 465 milhões de utilizadores, sobressai aquilo a que o polémico empreendedor chama “quebras materiais” nos termos do acordo entre as partes no que toca à gestão corrente da empresa – em particular, aquilo que considera ter sido o “congelamento de contratações” e a saída de gestores de topo.

Certo é que a administração do Twitter acredita que Musk será um “noivo em fuga” forçado ao matrimónio, tendo garantido os serviços do escritório de advogados Wachtell, Lipton, Rosen & Katz, especialista em fusões e aquisições, para representar os seus interesses no processo. E vai sublinhando que a reviravolta na oferta pública de aquisição tem o condão de desvalorizar o Twitter – algo que deixa adivinhar toda uma outra linha de litigância caso tudo venha a azedar ainda mais.

Por seu lado, Elon Musk, que por estes dias prefere mostrar-se mais preocupado com o problema técnico que impediu o lançamento de um dos seus foguetões e com inovações tecnológicas nas viaturas da Tesla, entendeu por bem desafiar a administração do Twitter na própria rede social, onde tem mais de 101 milhões de seguidores. E logo por intermédio de um meme em que descreve os quatro passos da sua relação difícil com os gestores da empresa. A saber: “Disseram que eu não podia comprar o Twitter”, “Depois disso não divulgaram informação sobre contas falsas”, “Agora querem forçar-me a comprar o Twitter em tribunal” e “Agora terão de divulgar informação sobre contas falsas em tribunal”.

Antes de ter desistido do negócio pelo qual se comprometia a pagar 54,20 dólares por acção, Musk chegou a traçar objectivos ambiciosos, como a meta de vir a contar com mil milhões de utilizadores activos todos os dias. Mas assustou os trabalhadores ao admitir que poderia reduzir o número de postos de trabalho, pois “a empresa precisa de ter saúde” e, “neste momento, as despesas superam as receitas”.

Também marcante foi a defesa que o multimilionário fez de um alívio na moderação de conteúdos, em prol da liberdade de expressão, após o Twitter ficar conhecido por decisões polémicas como a suspensão e posterior cancelamento da conta do anterior Presidente norte-americano, Donald Trump.

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