Tabaqueira investe 7 milhões em parque fotovoltaico para melhorar eficiência da fábrica em Sintra

É uma semana de lançamentos na subsidiária portuguesa da Philip Morris International: a fábrica de Sintra vai ter mais energia produzida através de painéis solares e está prestes a chegar aos consumidores nacionais a nova máquina de tabaco Iqos, com menos cheiro e sem limpeza.



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A Tabaqueira, do grupo Philip Morris International (PMI), vai esta quarta-feira inaugurar o seu novo parque solar fotovoltaico, que resulta de um investimento de 7 milhões de euros. Com uma área superior a 5 mil metros quadrados, este projecto insere-se na transição energética da empresa portuguesa e deverá permitir aumentar a eficiência e produtividade da sexagenária fábrica de Albarraque.

“Permite fornecer 10% da necessidade de energia da fábrica e reduzir 800 toneladas de CO2 [dióxido de carbono]. Os 7 milhões de euros que investimos entre 2020 e 2022 também incluem uma subestação que tivemos de construir para poder ter 100% da energia que utilizamos oriunda de fontes renováveis. Queremos diminuir a pegada ecológica da fábrica”, disse o director-geral da Tabaqueira, Marcelo Nico, em entrevista ao Jornal Económico (JE).

O início desta semana foi ainda marcado por um lançamento da Tabaqueira no mercado português que é a nova jóia da coroa da multinacional: o dispositivo de tabaco aquecido Iqos Iluma, assente numa tecnologia inovadora de indução. Ao JE, Marcelo Nico explica que 2022 é um ano de um trio de celebrações para a subsidiária e que investimentos como estes – em infra-estruturas de sustentabilidade e produtos de vanguarda – são sinónimos da relevância do mercado português para a PMI.

Que importância tem a fábrica de Sintra para o grupo norte-americano?

É uma das maiores que temos a nível europeu. Este ano, a fábrica de Sintra cumpre 60 anos desde que foi fundada, além dos 95 anos que também este ano completa a própria Tabaqueira e dos 25 anos desde que a PMI a comprou. São três datas. Nessa altura, antes da privatização, a empresa exportava apenas 3% da produção que lá era feita e agora são 86%, sendo os principais mercados Espanha, França e Itália. No total são 719 milhões de euros. Foi tudo isso que nos permitiu crescer em termos de impacto aqui em Portugal, nomeadamente no emprego.

Quantas pessoas empregam actualmente?

Nos últimos três anos incrementámos em 300 o número de funcionários na Tabaqueira, para mais de 1300 colaboradores, entre a unidade fabril e o departamento comercial. Além disso, temos um centro de excelência, que trabalha para o mundo em funções de reporte e financeiras, e um centro de tecnologias de informação ao qual chamamos IT Hub, com engenheiros de software que trabalham na programação de aplicações. Temos muito trabalho nesta área devido a toda esta transformação digital da empresa. Já temos mais de 100 pessoas ali e continuamos a recrutar. Temos também oportunidade aberta para recém-licenciados que procurem as primeiras experiências de carreira. No próximo mês queremos encontrar 20 estagiários no IT.

Então descarta despedimentos este ano, no contexto de crise económica?

Os últimos dois anos (2020 e 2021) na Tabaqueira foram de recordes quer de produção quer de exportação. Em 2022 estamos com números similares ao ano passado. Portanto, diria que estamos num momento de expansão. Inclusive continuamos a aumentar a nossa pegada económica porque, anualmente, a Tabaqueira contribui para o fisco com 1200 milhões de euros em termos de taxas que pagamos.

Depois de Japão, Suíça, Espanha, Grécia e Chipre, Portugal foi o sexto país – em 70 – que escolheram para trazer esta nova tecnologia. Porquê?

Significa reforçar a aposta que temos no mercado português. Portugal é um mercado muito importante a nível europeu para a PMI e um dos mais importantes também nesta transformação em que estamos para um mundo sem fumo. Em 2016-17, a PMI criou uma visão clara de um mundo sem fumo, na qual as alternativas ao tabaco, menos nocivas, substituirão completamente os cigarros tradicionais – ou seja, transformar o mercado para que, um dia, os cigarros sejam uma coisa do passado. É nessa jornada que Portugal está muito à frente. Daí ter sido um dos primeiros mercados onde lançámos o Iqos, em 2016, e ter hoje mais de 400 mil utilizadores a nível nacional. Este novo Iqos Iluma também aquece o tabaco em vez de o queimar, mas fá-lo através de indução. Qual a vantagem? É uma experiência mais consistente e não deixa resíduos. Portanto, não precisa de limpeza e reduz o cheiro.

Receiam que o Orçamento do Estado para 2023 traga aumentos nos impostos sobre o tabaco (específicos e/ou ad valorem)?

Em termos de fiscalidade, um dos pontos fundamentais a considerar é o comércio ilícito de tabaco. Como temos visto, o comércio ilícito de tabaco subiu cerca de 7% e impactou o fisco em 100 milhões de euros. É uma área na qual todos têm de trabalhar e ter em consideração. Os aumentos na fiscalidade do tabaco acontecem sempre, mas têm de ser moderados para não terem impactos exagerados. Mais: a Comissão Europeia está a rever a fiscalidade dos produtos de tabaco e no final do ano deverá haver uma discussão mais alargada, mais abrangente do que num mercado específico.

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