Risco de estagflação na UE aumenta com a guerra. Portugal está entre os mais vulneráveis

A estagflação corresponde a uma situação de estagnação económica com taxas de inflação elevadas. A invasão russa fez a inflação na União Europeia subir para os níveis mais altos desde a década de 80 do século passado.



A agência de notação financeira Moody’s avisa que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia está a aumentar o risco de estagflação na União Europeia (UE), sendo Portugal o sétimo país mais vulnerável dos 27. Em causa estão as alterações na oferta e na procura a nível regional e internacional, mas também mudanças estruturais, como a redução da importação do gás russo.

A estagflação corresponde a uma situação de estagnação (ou até recessão económica) com taxas de inflação elevadas. Na Europa, tal resultaria das previsões de um crescimento de 2,5% da economia da UE em 2022 e 1,3% em 2023, a par de uma desaceleração da inflação, que a Moody’s espera ser de 6,8% neste ano e 4,4% no próximo.

Num documento emitido esta terça-feira, Heiko Peters, analista sénior da agência, afirma que o conflito no leste europeu “empurrou a inflação para níveis nunca vistos na UE desde meados da década de 1980”. Do mesmo modo, aponta que uma paragem do abastecimento de gás natural pela Rússia irá “enfraquecer a actividade económica”, aumentando o risco de um ambiente estagflacionário no velho continente.

Os países mais vulneráveis, segundo a Moody’s, são Malta, Chipre, Portugal, Eslovénia e Croácia. Peters explica que todos apresentam “a maior probabilidade de ver este aumento de preços transitório tornar-se permanente”, por registarem um crescimento económico “significativamente mais baixo”, menores recursos políticos e falta de respostas. Políticas fiscais e monetárias focadas unicamente em crescimento “também podem aumentar o risco de um cenário de estagflação”, contrapõe.

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