Inflação em Cabo Verde sobe 1,2% em Julho e 9% num ano

O país africano não possui capacidade de refinação e importa todos os produtos petrolíferos, bem como 80% dos alimentos, devido à seca que o arquipélago vive há praticamente quatro anos.



Os preços em Cabo Verde aumentaram 1,2% no mês de Julho, em relação a Junho, e acumulam uma subida de 9,0% no espaço de um ano, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) cabo-verdiano, divulgados esta sexta-feira.

De acordo com o Índice de Preços no Consumidor (IPC), esta variação mensal fica 0,6 pontos percentuais abaixo da taxa registada em Junho. Um mês depois, o IPC registou ainda uma variação média dos últimos 12 meses de 6,1%, valor superior em 0,6 pontos percentuais ao do mês anterior.

O Governo cabo-verdiano já admitiu que a inflação em Cabo Verde poderá chegar aos 8% este ano, antevendo efeitos no poder de compra e um “impacto muito forte” nas famílias mais vulneráveis. As previsões foram avançadas pelo secretário de Estado das Finanças, Alcindo Mota, numa apresentação que antecedeu uma comunicação do primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, a 20 de Junho, em que o líder declarou a situação de emergência social e económica no país, devido aos impactos da guerra na Ucrânia.

Os valores previstos pelo Governo são superiores aos do Banco de Cabo Verde (BCV), que para 2022 prevê uma taxa média de inflação de 7,3%. Se atingir os 8%, será o valor mais alto dos últimos 25 anos, só superado pelos 8,7% de 1997, segundo o INE.

Cabo Verde fechou 2021 com uma inflação média anual de 1,9%, o valor mais alto desde 2013, já influenciado pelo aumento do preço dos combustíveis no mercado internacional, segundo o Governo. Em 2020, o arquipélago registou uma variação acumulada anual nos preços de 0,6%, sucedendo a uma taxa de 1,9% no conjunto do ano de 2019, dizem os dados anteriores.

O país africano não possui capacidade de refinação e importa todos os produtos petrolíferos de que necessita (cerca de 80% da produção de eletricidade é garantida por centrais a gasóleo ou fuelóleo), bem como 80% dos alimentos, devido à seca que o arquipélago vive há praticamente quatro anos.

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