Emprego ainda está imune à subida da inflação mas há nuvens no horizonte

O mercado de trabalho em Portugal tem resistido à crise energética e aos demais efeitos da guerra provocada pela invasão russa da Ucrânia. Em Julho, o desemprego caiu, mantendo-se próximo de níveis mínimos de duas décadas, mas os meses que aí vêm continuam envoltos em incerteza por causa da evolução da conjuntura internacional, mas também do quadro económico.



Há mais de um semestre que a guerra na Ucrânia começou, agravando os preços e, à boleia, os custos das empresas, que pedem hoje apoios ao Governo. Ainda assim, o mercado de trabalho tem resistido e parece mesmo estar imune à conjuntura. Se, em Janeiro - o último mês livre dos efeitos do conflito em curso no leste europeu -, a taxa de desemprego estava nos 5,8%, em Julho - mês ao qual se referem os dados mais recentes - situou-se em 5,9%, apenas 0,1 pontos percentuais acima do verificado no início do ano. Os próximos meses, dizem os especialistas ouvidos pelo NOVO, estão, contudo, envoltos em incerteza, dependendo da evolução do cenário geopolítico internacional, mas também dos salários reais, já que a perda de poder de compra das famílias portuguesas poderá acabar por afectar as contas das empresas e, consequentemente, os postos de trabalho.

“Estamos com taxas de desemprego das mais baixas.” Quem o destaca é João Cerejeira, professor na Universidade do Minho e especialista em economia do trabalho. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), em Fevereiro, Portugal atingiu a taxa de desemprego mais baixa das últimas duas décadas: 5,7%. Desde então, esse indicador tem registado subidas muito ligeiras - 0,1 pontos percentuais em Março (para 5,8%), 0,1 pontos percentuais em Abril (para 5,9%), 0,1 pontos percentuais em Maio (para 6%) -, mas em Julho acabou por voltar aos recuos, situando-se então em 5,9%. As explicações para esta resistência do mercado português dividem os especialistas: há economistas que apontam a sazonalidade e a recuperação pós-pandemia como justificação, enquanto outros antevêem que os efeitos da crise podem levar algum tempo a fazer-se sentir, daí que o desemprego ainda não tenha subido de modo considerável.

Leia o artigo na íntegra na edição do NOVO que está, este sábado, dia 10 de Setembro, nas bancas.

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