Cotação ibérica de gás triplicou no último ano

A subida dos preços do gás iniciou-se há mais de um ano, com a retoma pós-covid a criar um excesso de procura que o mercado foi incapaz de acompanhar, e a invasão da Ucrânia agravou a situação. Vive-se uma “tempestade perfeita em termos energéticos” na Europa, diz o antigo ministro da Indústria e Energia Luís Mira Amaral. Retoma da produção a partir do carvão pode ser encarada como solução.



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A crise do gás natural tem vindo a adiar a recuperação económica da Europa, que se aproxima cada vez mais da recessão, mas este fenómeno vinha já a verificar-se bastante antes da decisão russa de invadir a Ucrânia. Portugal é dos países menos expostos às importações vindas da Rússia e até tem as reservas mais cheias da União Europeia (UE), mas a sua capacidade de armazenamento é reduzida face às necessidades de consumo anual e o efeito de contágio através do preço, que já disparou para o triplo no mercado ibérico no último ano, será difícil de evitar. A retoma da produção eléctrica a carvão seria uma forma de travar o impacto na economia, apontam especialistas.

A invasão da Ucrânia encetada pela Rússia fez soar os alarmes quanto a uma possível subida dos custos da energia na Europa, dada a importância das importações russas na economia da UE e a passagem de vários gasodutos importantes para o abastecimento europeu através de território ucraniano, mas as pressões no preço deste bem vinham-se agravando há já largos meses.

O disparo no preço de referência europeu aquando do início da agressão russa é bem evidente na Title Transfer Facility neerlandesa (TTF), o mercado de referência europeu, dado o aumento de 89,2 euros por megawatt-hora (euros/MWh), no dia 23 de Fevereiro, para 119 euros/MWh no dia seguinte. Contudo, olhando para a tendência que se verificava antes, o preço do gás havia já tocado os três dígitos no final do ano passado, pressionado pela forte reabertura da economia global e pela diminuição que já se ia registando dos fluxos russos para a Europa.

Esta pressão começou a acontecer sobretudo a partir de Abril do ano passado, quando as cotações ainda se situavam na ordem dos 20 euros/MWh. Explica Luís Mira Amaral, engenheiro e antigo ministro da Indústria e Energia, que a Europa se encontra desde essa altura numa “tempestade perfeita em termos energéticos”, dada a produção intermitente decorrente das renováveis e o fim prematuro da produção eléctrica a partir de carvão.

“A crise energética já se verificava antes da guerra na Ucrânia: a UE e EUA proibiram investimentos em energias fósseis e, com a recuperação pós-covid, a procura aumentou e não havia oferta suficiente, pelo que os preços dispararam. A situação na Ucrânia só veio exacerbar esta crise energética”, afirma Mira Amaral.

Leia o artigo na íntegra na edição do NOVO que está este sábado, dia 6 de Agosto, nas bancas.

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