Braço-de-ferro entre Portugal e Bruxelas abre porta a mini-TAP

Governo garante ter montado uma estratégia para evitar o chumbo do plano de reestruturação, mas o NOVO sabe que a pressão tem aumentado por causa de cedências que Portugal não quer fazer. A espera tem feito a companhia encolher em Lisboa e ser esmagada no Porto, em contra-ciclo.



Pedro Nuno Santos, ministro das Infra-estruturas e Habitação, que tutela a TAP, admitiu esta semana que os cortes que têm vindo a ser feitos no número de trabalhadores da companhia aérea podem não ser suficientes. Para o responsável pela pasta, não é possível “fazer uma reestruturação da TAP sem mexer nos custos laborais”.

Foi esta a reacção do Governo à decisão de Bruxelas de abrir uma investigação aprofundada ao auxílio de Estado à reestruturação. No entanto, várias fontes do sector ouvidas pelo NOVO destacam que não são necessariamente pedidos cortes no pessoal. O que está a ser exigido é a redução dos custos globais. A fórmula não é obrigatória. Obrigatório é o resultado final.

No meio do braço-de-ferro, que tem deixado em aberto os caminhos da TAP, a companhia já começou a encolher em Lisboa e a ficar esmagada no Porto, enquanto outras empresas rivais fazem o caminho contrário.

“O plano que foi entregue está chumbado. Como está, não passa. Vão ter de ser feitas alterações para que possa ter luz verde. Provavelmente, vai ter de haver alterações nos slots. Este tem sido, aliás, um dos pontos que mais tensão tem causado”, explica uma das fontes. Recorde-se que os slots, ou seja, o espaço e horário para aterrar e levantar voo em Lisboa, são um dos pontos mais importantes para a transportadora aérea e há muito que abrem o apetite aos concorrentes.

A verdade é que a estratégia desenhada por Portugal não agrada à Comissão Europeia. A indefinição já começou, no entanto, a ter consequências e os números não deixam margem para dúvidas. De acordo com dados da NAV Portugal, empresa que gere o tráfego aéreo, a que o NOVO teve acesso e lhe mostra na edição desta semana, já nas bancas, a espera só vai agravar a realidade que já se vive tanto na capital como no Porto.

Perceba ainda as consequências de um escrutínio da concorrência ao plano de reestruturação e ainda o que se diz nos corredores de Bruxelas.

$!Braço-de-ferro entre Portugal e Bruxelas abre porta a mini-TAP
Ler mais
PUB