Aumento dos custos põe em causa competitividade. Empresas pedem apoios

A subida generalizada dos custos de produção, nomeadamente da energia, está a pôr em causa a competitividade das empresas de diversos sectores em Portugal, muitas delas incapazes de reflectir os aumentos dos preços nos consumidores. Como resultado, equacionam interrupções temporárias da produção e começam a registar-se situações de recurso ao layoff. Para empresários e gestores, é necessária a adopção urgente de medidas que permitam às empresas competir tanto no mercado nacional como fora de portas.

O índice de preços na indústria transformadora atingiu em Junho a taxa de variação homóloga mais elevada desde que começou a ser feito o registo deste indicador, com um aumento de 25,7%, o que representa uma aceleração de 2,8 pontos percentuais face ao mês anterior. A situação não é de agora e a generalidade dos responsáveis por associações sectoriais ouvidos pelo NOVO lembra que a subida de preços começou ainda no ano passado, quando as restrições criadas para evitar a propagação da covid-19 afrouxaram e a reabertura parcial da economia trouxe consigo um excesso repentino de procura que, conjugado com as consequências da instabilidade nas cadeias de abastecimento internacionais, contribuiu significativamente para o ciclo inflacionista que se vive actualmente. A guerra provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia veio agudizar este problema, levando a uma aceleração do ritmo de aumento dos preços, liderados pelo sector da energia, principal responsável pela carestia, com efeitos transversais em toda a actividade económica.

“O aumento dos custos de energia está a ter um efeito muito negativo nas empresas do Metal Portugal, sendo a situação especialmente preocupante a partir do início de Junho”, diz ao NOVO Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP). “Tanto a energia eléctrica como o gás natural praticamente triplicaram [de preço]”, afirma, apontando que “os subsectores que consomem mais energia - nomeadamente, as fundições ou empresas que procedem a tratamentos de superfícies - estão a sofrer de forma mais acentuada.”

O mesmo acontece no sector da transformação e reciclagem de polímeros, que “é muito transversal e exposto ao consumo de energia, muitas vezes intensivo”, como explica a Associação Portuguesa da Indústria dos Plásticos (APIP). “Esta disrupção dos preços da energia está a afectar profundamente algumas empresas que não dispõem de contratos de longa duração e que estão expostas ao mercado diário”, apontam.

“A crise energética tem-se reflectido no preço da energia utilizada, o que tem especial relevância num sector intensivo em energia como o cimenteiro”, diz ao NOVO o presidente da Associação Técnica da Indústria de Cimento (ATIC) e CEO da Cimpor, Luís Fernandes.

Estes três sectores referidos são dos que mais energia consomem em Portugal, pela natureza da sua actividade, de acordo com os dados da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

Leia o artigo na íntegra na edição do NOVO que está este sábado, dia 13 de Agosto, nas bancas.

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