Vieira acusado de preterir ‘penta’ para reestruturar dívida pessoal e de fazer da BTV ferramenta de propaganda

O NOVO teve acesso à acção judicial interposta pelo sócio Jorge Mattamouros, de 135 páginas, que visa a destituição dos órgãos sociais do Benfica.



São 135 páginas, às quais o NOVO teve acesso, nas quais Jorge Mattamouros, sócio do Benfica, cidadão luso-americano e advogado numa sociedade dos Estados Unidos da América, pede a destituição imediata dos órgão sociais apesar de no documento visar apenas e exclusivamente o presidente da SAD e da direcção, Luís Filipe Vieira.

O causídico invoca violações dos estatutos por parte de Luís Filipe Vieira, como por exemplo de utilizar dinheiro do Benfica para pagar a funcionários da Promovalor, empresa detida pelo actual presidente do clube encarnado.

”A presente acção visa proteger o Benfica e assegurar a aplicação dos Estatutos do clube. Para tal, é necessário pôr fim ao exercício por Luís Filipe Vieira do cargo de Presidente da Direcção do Sport Lisboa e Benfica, restituindo o clube aos seus donos de pleno direito, os associados, e mitigando os inestimáveis danos reputacionais já causados à maior associação desportiva de utilidade pública no país”, explica Jorge Mattamouros, que detalha, em seguida, outras alegadas violações.

“Primeiro, a conduta de Luís Filipe Vieira confunde a cada passo negócios pessoais com os dinheiros do clube, em violação expressa dos Estatutos, que determinam para esta actuação a perda automática de mandato e inelegibilidade do prevaricador no próximo acto eleitoral. Segundo, o exercício da presidência do clube por Luís Filipe Vieira após 28 de Outubro de 2020 não é sequer legítimo, pois tem origem num processo eleitoral 2 repleto de irregularidades, que culminou com fraude no voto electrónico, enquanto as urnas, por abrir, eram levadas na madrugada das eleições para parte incerta, por indivíduos à civil com ligações a Luís Filipe Vieira. Revela-se, por isso, premente a intervenção do sistema judicial para aplicar a letra e o espírito dos Estatutos do Sport Lisboa e Benfica, repondo a legalidade no clube e a decência moral no exercício de poder pelos seus órgãos sociais.”

O peticionário refere mesmo que, em 2017, Luís Filipe Vieira abdicou do pentacampeonato para poder reestruturar a dívida pessoal. “No Verão de 2017, o Benfica devia ainda €100 milhões ao Novo Banco (depois de já ter pago €130 milhões nos dois anos anteriores). Nesse momento, Luís Filipe Vieira teve de decidir entre manter o plantel que tinha vencido o tetracampeonato em Maio de 2017, com o objectivo de ganhar um inédito penta, ou vender as jóias da equipa e amortizar antecipadamente a dívida remanescente junto do Novo Banco – beneficiando Luís Filipe Vieira na reestruturação da sua dívida pessoal. Luís Filipe Vieira escolheu privilegiar a sua dívida pessoal de mais de €400 milhões, que foi reestruturada em Novembro de 2017, em condições especialmente favoráveis.

Noutro ponto da acção, Jorge Mattamouros fala da pirâmide de poder que Luís Filipe Vieira foi criando desde que entrou no Benfica.

”Nos últimos vinte anos, Luís Filipe Vieira acumulou, progressivamente, instrumentos que lhe conferem poder quase absoluto sobre o clube, incluindo o poder de controlar o resultado de eleições. Desde logo, Luís Filipe Vieira controla em absoluto o sistema de voto electrónico; tem influência sobre os cadernos eleitorais; tem na Benfica TV actual uma ferramenta de propaganda com chegada directa aos associados; e tem como prática habitual neutralizar potenciais opositores, seja com alterações estatutárias, seja com cargos ou outras vantagens”, conclui.

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