Sp. Braga e V. Guimarães alvo de buscas do Fisco. Esquema terá rendido 15 milhões a dirigentes e empresários

Investigação procura confirmar crimes de fraude fiscal, fraude à segurança social e branqueamento de capitais. Operação Fora de Jogo é liderada pelo juiz Carlos Alexandre.



Inspectores da Autoridade Tributária e do Ministério Público realizaram, esta quarta-feira, buscas na sede da SAD do Sporting de Braga e do V. Guimarães, numa investigação conduzida pelo juiz Carlos Alexandre, por suspeitas de negócios simulados entre os dois clubes e empresários, num esquema que terá rendido 15 milhões de euros.

“Em causa estão suspeitas de negócios simulados, celebrados entre clubes de futebol e terceiros, que tiveram em vista a ocultação de rendimentos do trabalho dependente, sujeitos a declaração e a retenção na fonte, em sede de IRS, envolvendo jogadores de futebol profissional. Os valores envolvidos rondarão os 15 milhões de euros”, explicou o Departamento Central de Investigação e Acção Penal em comunicado.

Nas diligências participaram um magistrado judicial, cinco magistrados do MP, quatro dezenas de efetivos da Autoridade Tributária e cerca de meia centena de militares da Unidade de Ação Fiscal da GNR. Terão sido realizadas buscas na residência do presidente do clube, Miguel Pinto Lisboa, e na do antigo director-geral do futebol, Carlos Freitas. O Correio da Manhã revelou que a Autoridade Tributária também fez buscas no escritório do empresário de futebol Bruno Macedo, antigo responsável jurídico do Sp. Braga e sócio de António Salvador, presidente do clube, na Vespasiano Investimentos Imobiliários, uma empresa brasileira.

Segundo o Expresso, as autoridades pediram aos responsáveis arsenalistas documentação relativa à transferência de dois jogadores do Sp. Braga para o FC Porto: Mamadoum Loum, comprado pelos dragões aos minhotos em 2019, por 7,5 milhões de euros, e Wenderson Galeno, que saiu do Minho para a Invicta no mesmo ano, por 3,5 milhões de euros.

As diligências desta quarta-feira foram ordenadas na sequência da análise do material apreendido no decurso das buscas realizadas em Março de 2020, já no âmbito da operação “Fora de Jogo”. Em Março de 2020, à constituição de 47 arguidos, 24 pessoas colectivas e 23 pessoas singulares, após buscas em várias entidades ligadas ao universo do futebol. Na altura, as SAD de Benfica, FC Porto, Sporting, Sporting de Braga e Vitória de Guimarães confirmaram a realização de buscas, atestando a disponibilidade para colaborarem com as autoridades.

*Notícia actualizada às 14h55 com mais detalhes sobre a investigação

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