Pedro Gonçalves e Paulinho: uma história que repõe a esperança

Depois de uma vitória exuberante durante a semana, o Sporting regressou à Liga vencendo o Tondela por 2-0 em Alvalade. Os golos de Sarabia e Paulinho fizeram um resultado que coloca Ruben Amorim na história.

Este foi um fim-de-semana estranho para quem gosta de futebol. Falou-se muito de solidariedade, desportivismo, empatia, respeito - valores que se perderam entre uma série de outras palavras. Escrevo- as com pena, alguma frustração. Burocracia, regulamentos, irresponsabilidade, incompetência e falta de senso.

No entanto, este domingo em Alvalade aconteceu um daqueles momentos essenciais para equilibrar o cosmo, um gesto que devolve alguma vida a um desporto que, às vezes, e por culpa própria, entra em rota de colisão.

Pedro Gonçalves, com apenas vinte e três anos, assume uma responsabilidade gigante com a naturalidade de um predestinado. Sabe que dele dependem transições, espaços, golos, vitórias. Eleito melhor da semana na Liga dos Campeões, é-o também, há muito tempo, neste plantel.

Lutando por objetivos comuns, tem-nos individualmente também. Anseia manter-se no topo da lista de melhores marcadores, repetir o prémio de uma época para a outra. Ainda se vê longe de Luis Díaz, mas essa distância de cinco golos não o impediu de oferecer a Paulinho um respiro.

O avançado sportinguista, autor de um dos tentos mais importantes da história recente do Sporting, está há algum tempo numa relação difícil com as balizas portuguesas.

Apesar dos lampejos de talento na Europa, desde a primeira jornada que procurava novo golo na Liga. Conseguiu-o frente ao Tondela, fazendo o 2-0 que tranquilizou o Sporting. E conseguiu-o porque Pedro Gonçalves fez aquilo que, em entrevista, Coates explicou que Paulinho fazia pelos colegas: pensou mais no outro do que nele.

Pote teve nos pés o sexto golo no campeonato, mas ofereceu-o ao colega – que, atabalhoadamente, como quem não espera a generosidade, quase não conseguia tocar na bola. Alvalade celebrou com alívio, principalmente porque o Tondela, não criando perigo absoluto, insistia em jogar no meio-campo do Sporting.

Ruben Amorim atingiu assim, num jogo sem particular entusiasmo ou brilho, a 50.ª vitória na Liga. É, agora, o mais jovem treinador português a alcançar esta marca. À frente de Mourinho e Cândido de Oliveira, parece cada vez mais escrever uma narrativa só sua.

O Sporting chega portanto à Luz, na próxima sexta-feira, com os serviços mínimos cumpridos. Enfrentará um Benfica a ferro e fogo, as equipas separadas por um ponto de diferença. Ainda à espera do que fará FC Porto esta noite, a emoção, à falta do resto, parece garantida.

*Senior Content Manager e adepta do Sporting

Ler mais
PUB